Diferenças entre Fluxo de Caixa (DFC) e Demonstração do Resultado (DRE)

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A DRE mostra o lucro pelo regime de competência; a DFC mostra o dinheiro que entrou e saiu, pelo regime de caixa. Veja as diferenças com um exemplo.

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O que é a DRE?

A Demonstração do Resultado do Exercício, a DRE, é uma demonstração contábil, elaborada pelo menos uma vez por ano, que apresenta o desempenho econômico da empresa no período: receitas, custos, despesas e o lucro ou prejuízo resultante. As companhias abertas também a publicam a cada trimestre.

É pela DRE que os gestores avaliam se o negócio operou com lucro ou prejuízo. Para que o relatório seja fiel, todas as receitas, custos e despesas precisam ser registrados pelo regime de competência.

Assim, uma boa análise da DRE ajuda a entender a situação econômica da empresa e fornece a base para os indicadores de lucratividade e de rentabilidade.

O que é a DFC?

A Demonstração dos Fluxos de Caixa, a DFC, é a demonstração contábil que mostra de onde veio e para onde foi o dinheiro da empresa no período. Ela é regulada pelo Pronunciamento Técnico CPC 03 e separa os fluxos em três grupos:

  • Atividades operacionais: recebimentos de clientes, pagamentos a fornecedores, salários, tributos etc.;
  • Atividades de investimento: compra e venda de imobilizado, de intangíveis e de participações em outras empresas;
  • Atividades de financiamento: empréstimos tomados e pagos, aumentos de capital, dividendos pagos aos sócios.

A DFC pode ser feita pelo método direto, que lista as entradas e saídas de caixa, ou pelo método indireto, que parte do lucro líquido e o ajusta pelos itens que não movimentaram caixa (como a depreciação) e pelas variações do capital de giro.

Em qual grupo da DFC o CPC 03 recomenda apresentar os dividendos pagos aos acionistas?

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Gabarito: Atividades de financiamento — os dividendos pagos são remuneração de quem financia a empresa com capital próprio, como os empréstimos são de quem financia com capital de terceiros. O CPC 03 até permite classificá-los como operacionais, mas a preferência é financiamento.

Fluxo de caixa realizado e fluxo de caixa projetado

No dia a dia da gestão, a expressão "fluxo de caixa" também é usada para duas ferramentas gerenciais, que não se confundem com a DFC publicada:

O fluxo de caixa realizado é o acompanhamento, dia a dia ou mês a mês, das entradas e saídas de dinheiro que de fato aconteceram. É uma tarefa de rotina, e os seus dados alimentam tanto a DFC quanto as projeções.

O fluxo de caixa projetado é uma estimativa das entradas e saídas de caixa futuras, feita com base no histórico da empresa e nas suas previsões. No planejamento financeiro, ele permite antecipar as necessidades de dinheiro do negócio e tomar decisões sobre investimentos, financiamentos e outras atividades que podem comprometer a saúde financeira da empresa.

O fluxo projetado normalmente cobre um período específico (mês, bimestre, trimestre, semestre ou ano). Ele usa as estimativas de vendas, custos, despesas e investimentos, e também pode considerar fatores externos previsíveis, como mudanças no mercado, regulamentações, câmbio, sazonalidade e problemas no fornecimento.

Os dois são importantes: o realizado mostra o que aconteceu e serve de base para as estimativas; o projetado dá à gestão informações para decidir, como quanto há disponível para investir e quanto capital de giro será necessário. As decisões sobre onde cortar custos e como aumentar o caixa muitas vezes saem dessa análise.

História da DFC no Brasil

A Demonstração dos Fluxos de Caixa passou a ser obrigatória no Brasil com a Lei 11.638/2007, que alterou o art. 176 da Lei 6.404/76 e a colocou no lugar da antiga Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR), a partir dos exercícios de 2008. A companhia fechada com patrimônio líquido inferior a R$ 2 milhões na data do balanço está dispensada de elaborá-la (art. 176, § 6º). A mesma lei estendeu as regras de elaboração das demonstrações às sociedades de grande porte, mesmo que não sejam sociedades anônimas (art. 3º). Segundo o pronunciamento técnico CPC 03, item 10, "a demonstração dos fluxos de caixa deve apresentar os fluxos de caixa do período classificados por atividades operacionais, de investimento e de financiamento".

Antes da obrigatoriedade, estudos empíricos mostram que muitas companhias já publicavam a DFC de forma voluntária, por ela trazer aos investidores informações relevantes sobre a saúde financeira da empresa.

Sobre o tema, destaca-se o estudo de Salotti e Yamamoto (2008), que investigou os motivos da divulgação voluntária da DFC por companhias abertas listadas na Bovespa (hoje B3). O estudo constatou, entre outros aspectos, que essas companhias divulgavam a DFC principalmente porque davam mais importância às percepções dos investidores externos, tinham menores custos de divulgação e porque a divulgação reduz a assimetria de informação.

Como montar um fluxo de caixa projetado

Em passos simples, o fluxo de caixa projetado pode ser feito assim:

  1. Escolha o período (mês, trimestre, ano etc.).
  2. Estime as entradas de caixa do período: recebimentos de vendas à vista e a prazo, resgates de aplicações, empréstimos a receber, aportes dos sócios, doações, o que houver.
  3. Estime as saídas de caixa: fornecedores, salários, matéria-prima, marketing, aluguel, tributos, parcelas de empréstimos, compras de equipamentos, dividendos etc.
  4. Calcule o fluxo líquido do período: entradas − saídas. Se quiser seguir o modelo da DFC, separe-o em operacional, de investimento e de financiamento.
  5. Avalie quais fatores externos podem afetar o caixa: flutuações do mercado, sazonalidade, taxa de juros, mudanças tributárias, escassez de mão de obra ou de produtos etc.
  6. Calcule o saldo de caixa projetado: saldo inicial + fluxo operacional + fluxo de investimento + fluxo de financiamento (cada um com o seu sinal, positivo ou negativo).
  7. Atualize as projeções com os dados reais para que as estimativas fiquem cada vez mais precisas.

Uma empresa começa o trimestre com R$ 20.000 em caixa. O fluxo operacional projetado é de +R$ 15.000, o de investimento é de −R$ 30.000 (compra de uma máquina) e o de financiamento é de +R$ 5.000. Qual é o saldo final projetado?

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Gabarito: R$ 10.000 — 20.000 + 15.000 − 30.000 + 5.000. Quem esquece o fluxo de investimento chega a R$ 40.000, mas a compra da máquina também tira dinheiro do caixa.

Qual a diferença entre a DRE e a DFC?

A principal diferença entre as duas, a DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) e a DFC (Demonstração dos Fluxos de Caixa), é o regime usado para registrar os fatos.

A DRE segue o regime de competência: a receita é registrada quando é ganha (por exemplo, quando a mercadoria é entregue ao cliente) e a despesa quando é incorrida, não importa quando o dinheiro será pago ou recebido. Por isso ela mostra o lucro ou prejuízo do período.

Diferença entre DRE e DFC
Diferença entre DRE e DFC

Já a DFC segue o regime de caixa: aponta as entradas e saídas de dinheiro na data do pagamento ou do recebimento, quando o valor efetivamente se movimenta.

Um exemplo deixa a diferença clara. Em dezembro, uma loja vende R$ 10.000 a prazo, para receber em janeiro; paga R$ 6.000 à vista pelas mercadorias que vendeu; tem R$ 500 de depreciação dos móveis; e pega R$ 5.000 emprestados no banco.

Fato de dezembroDRE de dezembroDFC de dezembro
Venda a prazoReceita de R$ 10.000Nada (o dinheiro entra em janeiro)
Mercadorias pagas à vistaCusto de R$ 6.000Saída operacional de R$ 6.000
DepreciaçãoDespesa de R$ 500Nada (não sai dinheiro)
EmpréstimoNada (não é receita)Entrada de financiamento de R$ 5.000
TotalLucro de R$ 3.500Caixa diminui R$ 1.000

A empresa teve lucro e, ainda assim, terminou o mês com menos dinheiro do que começou. É exatamente isso que as duas demonstrações, lidas juntas, revelam.

Em março, uma empresa vende R$ 8.000 a prazo, para receber em abril, paga R$ 3.000 de salários de março e compra à vista uma máquina de R$ 10.000, com depreciação de R$ 100 no mês. Qual é o lucro de março e a variação do caixa no mês?

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Gabarito: Lucro de R$ 4.900 e caixa −R$ 13.000 — na DRE entram a venda, os salários e só a depreciação do mês: 8.000 − 3.000 − 100. No caixa, a venda ainda não entrou, mas saíram os salários e a máquina inteira: −3.000 − 10.000.

O que é mais importante: o fluxo de caixa ou a DRE?

As duas têm objetivos diferentes e se complementam, mas o fluxo de caixa afeta diretamente a operação da empresa. Por melhores que sejam as margens de lucro, a empresa não consegue operar se não planejar bem o seu caixa: é preciso ter um mínimo de dinheiro para comprar o necessário para o estoque e continuar vendendo. Uma empresa pode dar lucro e quebrar por falta de caixa, como no exemplo acima. Por isso, no dia a dia, o fluxo de caixa merece atenção constante: se for mal feito, a empresa fica sem capital de giro e morre asfixiada. Já a DRE diz se o negócio, no longo prazo, vale a pena.

Por que uma empresa com lucro na DRE pode ficar sem dinheiro para pagar as contas?

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Gabarito: Porque o lucro inclui vendas que ainda não foram recebidas e não inclui saídas como compra de máquinas e pagamento de empréstimos — a DRE segue a competência, e o caixa segue o dinheiro. A depreciação é justamente o contrário: reduz o lucro sem tirar dinheiro do caixa.

O que vamos ver daqui para a frente sobre fluxo de caixa?

Pretendo usar estas aulas para que possamos ler o fluxo de caixa nos relatórios de resultados das empresas. A Taesa, uma empresa do setor elétrico, por exemplo, divulga seu relatório aquilink outside website, e gostaria que cada aluno conseguisse ler e interpretar o que está acontecendo na empresa.

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