Análise Vertical e Horizontal e Índices no Balanço Patrimonial

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Como fazer análise horizontal e vertical e calcular índices de liquidez, endividamento e estrutura de capital, com exemplos resolvidos e exercícios.

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Análise horizontal

Uma forma simples de analisar uma entidade é acompanhar como um item das demonstrações contábeis evolui ao longo do tempo. É isso que a análise horizontal faz.

Ano 1Ano 2Ano 3
ReceitasR$ 350.000R$ 400.000R$ 480.000
AtivosR$ 200.000R$ 210.000R$ 240.000

Nos três exercícios sociais, tanto a receita quanto o ativo total cresceram. A análise horizontal mede o tamanho desse crescimento, e há duas formas de calcular:

  • Base fixa: escolhe-se uma data-base, em geral o primeiro ano, e todos os anos são comparados com ela. A receita do Ano 3 é 37,14% maior que a do Ano 1 (480.000 ÷ 350.000 − 1), e o ativo, 20% maior (240.000 ÷ 200.000 − 1).
  • Base móvel: cada ano é comparado com o anterior. A receita cresceu 14,29% do Ano 1 para o Ano 2 (400.000 ÷ 350.000 − 1) e 20% do Ano 2 para o Ano 3 (480.000 ÷ 400.000 − 1).

O ativo total também cresceu, mas menos: 5% e 14,29% na base móvel. Isso indica que a empresa está usando melhor os seus ativos para gerar receita. O giro do ativo (receita ÷ ativo) confirma: passou de 1,75 no Ano 1 para 1,90 no Ano 2 e 2,00 no Ano 3.

A receita de uma empresa foi de R$ 200.000 no Ano 1, R$ 230.000 no Ano 2 e R$ 260.000 no Ano 3. Qual o crescimento do Ano 3 em relação ao Ano 1 (base fixa)?

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Gabarito: 30% — 260.000 ÷ 200.000 − 1 = 30%. Os 13% são o crescimento do Ano 2 para o Ano 3 (base móvel).

Análise vertical

A análise vertical é uma análise de participação: mostra quanto cada item representa de um total. No balanço patrimonial, a base (100%) é o ativo total, e calcula-se a participação de cada item nele. Na Demonstração do Resultado, a base costuma ser a receita líquida.

Ano 1Ano 2Ano 3
Ativo Circulante31%32%39%
Ativo Não Circulante69%68%61%
Passivo Circulante18%20%25%
Passivo Não Circulante20%20%24%
Patrimônio Líquido62%60%51%

Com essas informações, percebemos que a participação do ativo circulante no ativo total aumentou ao longo do tempo. Do lado das fontes de recursos, a dívida de curto prazo cresceu nos dois anos, e a de longo prazo, no Ano 3, enquanto a participação do patrimônio líquido caiu de 62% para 51%. Ou seja, a empresa está mais endividada. Veja agora a análise vertical das contas da Demonstração do Resultado do Exercício, com a receita como 100%:

Ano 1Ano 2Ano 3
Despesas Administrativas24%25%26%
Despesas de Salários25%27%28%
Despesas de Energia e Telefone6%6%6%
Despesas de Material de Consumo10%10%9%
Despesas de Depreciação6%7%6%
Despesas Financeiras6%7%7%
Outras Despesas (inclusive tributos sobre o lucro)9%7%6%
Lucro Líquido14%11%12%
Total (= receita)100%100%100%

Pela análise vertical da Demonstração do Resultado, o lucro líquido caiu de 14% para 11% da receita do Ano 1 para o Ano 2 e subiu para 12% no Ano 3. As maiores contas, Despesas Administrativas e Salários, aumentaram sua participação na receita nos dois anos, e isso explica a queda da lucratividade. No Ano 3, a redução de outras despesas compensou esse aumento.

As duas análises se completam: a horizontal mostra para onde cada conta está indo, e a vertical mostra o peso de cada uma.

Na análise vertical da DRE, uma despesa de R$ 45.000 numa empresa com receita líquida de R$ 300.000 representa:

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Gabarito: 15% — 45.000 ÷ 300.000. Na DRE, a base de 100% é a receita líquida.

Os tipos de indicadores

Os indicadores (ou índices) relacionam contas das demonstrações para avaliar a situação da empresa. Os grupos mais usados são:

  • Estrutura de capital e endividamento: mostram de onde vêm os recursos (capital próprio ou de terceiros), quanto a empresa deve e quanto do patrimônio está aplicado em ativos de longo prazo.
  • Liquidez: medem a capacidade de pagar as dívidas com os ativos que se transformam em dinheiro.
  • Cobertura: medem a folga para pagar compromissos financeiros. O mais comum é a cobertura de juros, o lucro operacional dividido pelas despesas de juros.
  • Rentabilidade: medem o retorno obtido sobre o que foi investido ou vendido, por exemplo quanto de lucro cada real de patrimônio líquido gerou (ROE), ou quanto de cada real de receita virou lucro (margem líquida).
  • Atividade (rotação ou giro): medem a velocidade com que a empresa gira seus ativos: prazo médio de recebimento, de pagamento, de estocagem, giro do ativo e ciclo operacional.
  • Produtividade: relacionam o número de funcionários ou a folha de salários com a receita.
  • Economicidade: avaliam se os recursos foram usados ao menor custo possível, como o custo de produção por unidade.
  • Crescimento: acompanham a variação de receitas, custos e produção, para saber se a empresa está crescendo ou encolhendo.

Não veremos todos em profundidade, mas vamos estudar os principais de liquidez, endividamento e estrutura de capital.

Indicadores de liquidez

A liquidez diz respeito à rapidez com que a empresa consegue transformar seus recursos em dinheiro. É um conceito muito importante, e liquidez baixa costuma estar associada a mais risco. Por isso, os índices de liquidez são muito usados na previsão de falências, na concessão de crédito bancário e até na escolha de fornecedores.

Todos eles dividem ativos que viram dinheiro por dívidas. De forma geral, um índice maior que 1 indica que esses ativos são suficientes para cobrir as dívidas consideradas; igual a 1, que se equivalem; menor que 1, que hoje não seriam suficientes. Cada índice muda o que entra no numerador e no denominador.

Liquidez corrente

Mostra se os ativos de curto prazo são maiores ou menores que os passivos de curto prazo. Acima de 1, o ativo circulante é maior que o passivo circulante; abaixo de 1, as obrigações de curto prazo superam os ativos de curto prazo.

\[ \text{Liquidez Corrente} = \frac{\text{Ativo Circulante}}{\text{Passivo Circulante}} \]

Liquidez seca

É parecida com a liquidez corrente, mas tira do ativo circulante os itens menos líquidos. A forma mais usada pelos autores retira os estoques, que ainda precisam ser vendidos (e, muitas vezes, recebidos) para virar dinheiro. Alguns autores também retiram as despesas antecipadas, que nunca viram dinheiro. Aqui vamos usar a forma mais comum:

\[ \text{Liquidez Seca} = \frac{\text{Ativo Circulante} - \text{Estoques}}{\text{Passivo Circulante}} \]

Liquidez imediata

Relaciona os recursos mais líquidos da empresa, o caixa e os equivalentes de caixa, com as dívidas de curto prazo:

\[ \text{Liquidez Imediata} = \frac{\text{Caixa e Equivalentes de Caixa}}{\text{Passivo Circulante}} \]

Este índice informa quanto do passivo circulante poderia ser pago de imediato com o dinheiro disponível.

Liquidez geral

Considera não só os itens de curto prazo, mas também os de longo prazo que vão virar dinheiro no futuro:

\[ \text{Liquidez Geral} = \frac{\text{Ativo Circulante} + \text{Realizável a Longo Prazo}}{\text{Passivo Circulante} + \text{Passivo Não Circulante}} \]

Para usar esta fórmula é preciso saber onde fica cada ativo no balanço (Lei 6.404/76, arts. 178 e 179, com a redação das Leis 11.638/07 e 11.941/09):

  • Ativo circulante: disponibilidades e direitos que se realizam até o fim do exercício seguinte (em geral, 12 meses), como caixa, aplicações, clientes, estoques e despesas antecipadas.
  • Ativo não circulante: todo o resto, dividido em quatro subgrupos: realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível.
  • Realizável a longo prazo: direitos que se realizam depois do fim do exercício seguinte, e também créditos com coligadas, controladas, sócios e diretores que não sejam das operações normais da empresa, qualquer que seja o prazo. É a única parte do não circulante que entra na liquidez geral.
  • Investimentos, imobilizado e intangível: bens e direitos que a empresa mantém para usar ou como participação em outras empresas (máquinas, veículos, terrenos, marcas, softwares), e não para transformar em dinheiro. Por isso ficam fora da liquidez geral. Eles correspondem, mais ou menos, ao antigo "Ativo Permanente", grupo que deixou de existir com a Lei 11.638/07.

Exemplo com os índices de liquidez

Ano 1Ano 2Ano 3
Liquidez Corrente1,721,581,59
Liquidez Seca1,521,421,45
Liquidez Imediata0,170,210,20
Liquidez Geral0,820,800,80

Os números batem com a análise vertical que vimos acima: no Ano 1, 31% ÷ 18% = 1,72 de liquidez corrente. A liquidez corrente caiu, mas continua acima de 1, ou seja, o ativo circulante cobre com folga as dívidas de curto prazo. A liquidez imediata baixa (cerca de 0,2) é comum: poucas empresas guardam em caixa o suficiente para pagar todo o passivo circulante de uma vez. Já a liquidez geral abaixo de 1 mostra que, somando curto e longo prazo, a empresa depende do resultado futuro de suas operações para pagar todas as dívidas.

Uma empresa tem Ativo Circulante de R$ 250.000, estoques de R$ 50.000, despesas antecipadas de R$ 22.000 e Passivo Circulante de R$ 333.000. Qual a liquidez seca, na forma mais comum?

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Gabarito: 0,60 — (250.000 − 50.000) ÷ 333.000. O 0,53 seria a versão que também tira as despesas antecipadas, e 0,75 é a liquidez corrente.

Índices de endividamento

Usamos estes índices para estudar a composição do passivo: o nível de endividamento e as fontes de recursos da empresa.

Participação de capital de terceiros (CT/PL)

Relaciona o capital de terceiros, isto é, o passivo circulante mais o passivo não circulante, com o patrimônio líquido. Mostra quantos reais de dívida existem para cada real de capital próprio:

\[ \text{Participação de Capital de Terceiros} = \frac{\text{Passivo Circulante} + \text{Passivo Não Circulante}}{\text{Patrimônio Líquido}} \]

Composição do endividamento

Mostra quanto da dívida total vence no curto prazo. Quanto maior, mais pressão sobre o caixa no próximo ano:

\[ \text{Composição do Endividamento} = \frac{\text{Passivo Circulante}}{\text{Passivo Circulante} + \text{Passivo Não Circulante}} \]

Alguns autores comparam o curto prazo diretamente com o longo prazo (passivo circulante ÷ passivo não circulante). A leitura é parecida, mas a forma acima é a mais usada.

Uma empresa tem Passivo Circulante de R$ 120 mil, Passivo Não Circulante de R$ 180 mil e Patrimônio Líquido de R$ 200 mil. Qual a composição do endividamento?

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Gabarito: 40% — 120 ÷ (120 + 180). O 1,50 é a participação de capital de terceiros (300 ÷ 200), e 66,7% é a comparação direta do curto com o longo prazo (120 ÷ 180).

Indicadores de estrutura de capital

Além dos dois anteriores, os mais comuns são:

\[ \text{Imobilização do Patrimônio Líquido} = \frac{\text{Ativo Não Circulante} - \text{Realizável a Longo Prazo}}{\text{Patrimônio Líquido}} \]

\[ \text{Imobilização dos Recursos Não Correntes} = \frac{\text{Ativo Não Circulante} - \text{Realizável a Longo Prazo}}{\text{Patrimônio Líquido} + \text{Passivo Não Circulante}} \]

\[ \text{Participação do Capital Próprio} = \frac{\text{Patrimônio Líquido}}{\text{Ativo Total}} \]

A imobilização mostra quanto dos recursos próprios (ou dos recursos de longo prazo) está aplicado em investimentos, imobilizado e intangível, ou seja, em ativos que não voltam como dinheiro tão cedo. Nos livros mais antigos, o numerador aparece como "Ativo Permanente", nome que deixou de existir com a Lei 11.638/07.

Exemplo com a mesma empresa

Com os percentuais da análise vertical, e considerando que, como mostra a liquidez geral, o realizável a longo prazo dessa empresa é praticamente zero:

IndicadorAno 1Ano 2Ano 3
Participação de capital de terceiros (CT/PL)38 ÷ 62 = 0,6140 ÷ 60 = 0,6749 ÷ 51 = 0,96
Composição do endividamento18 ÷ 38 = 47%20 ÷ 40 = 50%25 ÷ 49 = 51%
Imobilização do PL69 ÷ 62 = 1,1168 ÷ 60 = 1,1361 ÷ 51 = 1,20
Imobilização dos recursos não correntes69 ÷ 82 = 0,8468 ÷ 80 = 0,8561 ÷ 75 = 0,81
Participação do capital próprio62%60%51%

A dívida cresceu de 0,61 para 0,96 real por real de capital próprio, e uma parte maior dela vence no curto prazo. A imobilização do PL acima de 1 mostra que o capital próprio não basta para financiar todo o ativo não circulante; a imobilização dos recursos não correntes abaixo de 1 mostra que, somando as dívidas de longo prazo, esses ativos estão financiados com recursos de longo prazo, e ainda sobra uma parte para o capital de giro.

Uma empresa tem Ativo Não Circulante de R$ 500 mil, dos quais R$ 100 mil são realizável a longo prazo, Patrimônio Líquido de R$ 320 mil e Passivo Não Circulante de R$ 180 mil. Qual a imobilização dos recursos não correntes?

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Gabarito: 0,80 — (500 − 100) ÷ (320 + 180) = 400 ÷ 500. O 1,25 é a imobilização do patrimônio líquido (400 ÷ 320), e 1,56 esquece de tirar o realizável a longo prazo.

Exercícios

1) (FUNDATEC - Prefeitura de Restinga Seca - Contador - 2022) Os indicadores econômicos e financeiros são ferramentas que possibilitam a análise detalhada de aspectos de acordo com a necessidade do usuário da informação contábil. Nesse sentido, assinale o indicador que corresponde a um dos índices do grupo da rentabilidade.

A) Liquidez corrente.

B) Taxa de retorno do patrimônio líquido.

C) Percentual de capital próprio.

D) Liquidez seca.

E) Análise vertical.

2) (IESES - Gas Brasiliano - Economista Júnior - 2017) A administração financeira tem forte preocupação com os conceitos de liquidez e de rentabilidade. O profissional que mais se preocupa com a liquidez é o:

A) Acionista.

B) Controller.

C) Auditor.

D) Tesoureiro.

3) (UFF - UFF - Auditor - 2012) Dentre os indicadores de gestão, aquele que mostra a atenção da gestão com o bom uso dos recursos financeiros, por definição, escassos, desde a adequação da proposta orçamentária das metas a serem atingidas, passando pela coerência com os preços de mercado, pelo desenvolvimento de fontes alternativas de receita e pela obtenção dos menores custos por produto gerado, denomina-se:

A) economicidade;

B) efetividade;

C) eficácia;

D) seletividade;

E) essencialidade.

4) (CESPE/CEBRASPE - ABIN - Oficial Técnico de Inteligência - Área Ciências Contábeis - 2010) Julgue os itens a seguir, referentes aos conceitos gerais da contabilidade pública. A principal função dos indicadores contábeis consiste em propiciar a contabilização automática dos fatos contábeis a partir da informação de um código numérico específico. Certo ou errado?

5) (CESPE/CEBRASPE - EMBASA - Analista de Saneamento - Área Administração - 2009) Julgue os itens subsequentes, a respeito da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e de indicadores financeiros, econômicos e patrimoniais. Para se obter uma medida sobre a eficiência operacional, pode-se utilizar o índice de retorno sobre o investimento (ROI). Para que se possa interpretar a evolução desse indicador, deve-se obter duas informações que são sua própria composição: resultado bruto dividido pelo total investido. Certo ou errado?

6) (FUNDATEC - 2023 - IF Farroupilha - RS - Contador) Para resolver a questão, considere as informações coletadas junto ao Instituto WAZ, com data de 31/12/2019.

ContaSaldo (em R$)
Ativo Circulante250.000,00
Ativo Não Circulante425.000,00
Estoques50.000,00
Despesas antecipadas22.000,00
Passivo Circulante333.000,00
Passivo Não Circulante132.000,00
Patrimônio Líquido210.000,00
Lucro Líquido190.000,00
Vendas Líquidas522.000,00

Com base nas informações do Instituto WAZ, o índice de participação de capital de terceiros, em 31/12/2019, era de:

A) 0,88.

B) 1,00.

C) 1,58.

D) 2,21.

E) 3,11.

Resolução

1) B. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) é um índice de rentabilidade; liquidez corrente e seca são de liquidez, e o percentual de capital próprio é de estrutura.

2) D. O tesoureiro cuida do caixa e dos pagamentos, e por isso é quem mais se preocupa com a liquidez.

3) A. Economicidade é a obtenção dos recursos ao menor custo, sem perder qualidade.

4) Errado. Indicadores servem para analisar a situação da entidade, e não para contabilizar fatos.

5) Errado. O ROI se decompõe em margem (lucro ÷ receita) vezes giro (receita ÷ investimento), e usa o lucro operacional ou líquido, e não o resultado bruto.

6) D. Capital de terceiros ÷ patrimônio líquido = (333.000 + 132.000) ÷ 210.000 = 465.000 ÷ 210.000 = 2,21.

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