Revisão: compras, licitações, armazenagem e transporte

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Resumo da segunda parte: compras, Lei 14.133/2021 com os valores de 2026, PPP e consórcios, almoxarifado, CDs, armazéns e transporte, com exercício resolvido.

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Como usar esta revisão

Esta aula fecha a segunda parte da série, que acompanhou o material do pedido de compra até a entrega ao usuário: compras no setor privado, compras no setor público, classificação e codificação, almoxarifado e armazenagem, e transporte. Aqui estão os conceitos e as contas de cada bloco em forma de resumo, um exercício integrado resolvido e perguntas para testar o entendimento. Quando um ponto parecer novo, volte à aula indicada: a revisão não substitui a explicação.

A gestão de estoques (previsão, custos, lote econômico, estoque de segurança, ABC) tem sua própria revisão no fim da primeira parte, e vários resultados dela reaparecem aqui, sobretudo na escolha do modal de transporte.

Compras no setor privado

Função, objetivos e estrutura

  • Comprar não é só fazer o pedido: envolve planejar, pesquisar e selecionar fontes, negociar, contratar, acompanhar a entrega (diligenciamento) e verificar quantidade e qualidade.
  • Objetivo: garantir o material certo, na quantidade, na qualidade e no prazo, ao melhor custo, dentro de padrões éticos.
  • Dois blocos: a administração da aquisição (cotar, analisar, negociar, contratar) e a administração do fornecimento (garantir que o contrato seja cumprido).
  • Centralizar dá escala, controle e especialização dos compradores; descentralizar dá rapidez e conhecimento local às unidades distantes. O comum é centralizar os contratos grandes e deixar as compras urgentes ou locais com as unidades.
  • Negociação é o processo em que as partes saem de posições divergentes até um acordo. Prepare alternativas antes, conheça seu limite de autoridade, registre tudo em ata e lembre que a maioria das negociações tem desdobramentos futuros.

Planejamento e fornecedores

  • O plano de compras faz parte do plano da empresa, em três horizontes: operacional (até 1 ano), tático (1 a 2 anos) e estratégico (3 a 10 anos ou mais). Ferramentas: análise SWOT e análise de lacunas (gap).
  • O cadastro de fornecedores reúne fontes ativas e potenciais, classificadas por produto, capacidade, localização e desempenho. Ter fontes alternativas reduz o risco de falta.
  • A avaliação de fornecedores é contínua e envolve várias áreas: pontualidade, qualidade, preço, capacidade, sistema de qualidade (a série ISO 9000 é uma referência).

Seleção, verticalização e comprar ou fabricar

  • Verticalizar é fazer internamente etapas da cadeia; horizontalizar é concentrar-se no essencial e comprar o resto de terceiros.
  • A conta básica de comprar ou fabricar compara o custo de comprar (preço × quantidade) com o de fabricar (custo fixo + custo variável × quantidade). O ponto de equilíbrio é:

Q* = custo fixo anual de fabricar ÷ (preço de compra − custo variável unitário de fabricar)

Acima de Q*, fabricar sai mais barato; abaixo, comprar. A decisão final ainda pesa qualidade, domínio da tecnologia, capacidade ociosa e risco de depender de um só fornecedor.

  • Ética em compras: o comprador lida com dinheiro de outros e com pressão de vendedores. Presentes, favores e conflitos de interesse devem seguir regras claras, e a relação com o fornecedor deve vir de análise impessoal, não de amizade.

Fabricar uma peça exige custo fixo de R$ 120.000 por ano e custo variável de R$ 20 por unidade. Comprá-la custa R$ 35 por unidade. A partir de que quantidade anual fabricar passa a compensar?

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Gabarito: 8.000 unidades — Q* = 120.000 ÷ (35 − 20) = 120.000 ÷ 15 = 8.000. O 3.429 vem de dividir pelo preço de compra (120.000 ÷ 35), esquecendo que o que importa é a diferença entre comprar e o custo variável de fabricar.

Compras no setor público

Desde 30 de dezembro de 2023, todas as licitações e contratações públicas novas seguem a Lei 14.133/2021, que revogou a Lei 8.666/1993, a Lei do Pregão (10.520/2002) e o RDC. Quem estudou pela lei antiga precisa reaprender alguns pontos: tomada de preços e convite não existem mais.

O essencial da Lei 14.133/2021

TemaComo é hoje
Modalidades (art. 28)Pregão, concorrência, concurso, leilão e diálogo competitivo
PregãoObrigatório para bens e serviços comuns
Critérios de julgamento (art. 33)Menor preço, maior desconto, melhor técnica ou conteúdo artístico, técnica e preço, maior lance (leilão), maior retorno econômico
Fases (art. 17)Preparatória, divulgação do edital, propostas e lances, julgamento, habilitação, recursal e homologação. Em regra, a habilitação vem depois do julgamento: só se examinam os documentos de quem venceu.
Prazo mínimo do edital (art. 55)Compras por menor preço ou maior desconto: 8 dias úteis. Serviços comuns e obras e serviços comuns de engenharia, pelos mesmos critérios: 10 dias úteis.
Quem conduzO agente de contratação (no pregão, o pregoeiro), com equipe de apoio
PrincípiosLegalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência, igualdade, probidade, vinculação ao edital, julgamento objetivo, entre outros listados no art. 5º
PublicidadePortal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), onde também fica o registro cadastral unificado de fornecedores (art. 87); na esfera federal, o cadastro operacional é o SICAF

Dispensa e inexigibilidade

  • Inexigibilidade (art. 74): a competição é inviável, por exemplo, fornecedor exclusivo, artista consagrado, serviço técnico especializado de notória especialização.
  • Dispensa (art. 75): a competição seria possível, mas a lei permite contratar direto. A hipótese mais usada é a de baixo valor. Os limites são atualizados todo ano por decreto; para 2026, o Decreto 12.807/2025 fixou R$ 130.984,20 para obras, serviços de engenharia e manutenção de veículos e R$ 65.492,11 para compras e outros serviços.
  • O limite vale para a soma do que a unidade gasta no exercício com objetos da mesma natureza, para impedir o fracionamento de uma compra grande em várias pequenas.
  • Os limites são duplicados para consórcios públicos e para autarquias e fundações qualificadas como agências executivas (art. 75, § 2º).

Registro de preços, contratos, PPP e consórcios

  • Sistema de Registro de Preços (arts. 82 a 86 da lei; na esfera federal, Decreto 11.462/2023): a administração registra preços numa ata e compra quando precisar, sem obrigação de comprar tudo. A ata vale 1 ano, prorrogável por igual período se o preço continuar vantajoso. Bom para compras frequentes de quantidade incerta.
  • Contratos: serviços e fornecimentos contínuos podem ser contratados por até 5 anos e prorrogados até 10 anos no total (arts. 106 e 107). O contratado é obrigado a aceitar acréscimos ou supressões de até 25% do valor inicial atualizado, ou acréscimos de até 50% na reforma de edifício ou equipamento (art. 125). As cláusulas exorbitantes dão à administração poderes que um contrato privado não daria, como alterar e rescindir unilateralmente e fiscalizar.
  • Recebimento (art. 140): provisório, pelo fiscal do contrato, e definitivo, por servidor ou comissão, com termo detalhado.
  • Parceria público-privada (Lei 11.079/2004): concessão patrocinada ou administrativa, com contrato de no mínimo R$ 10 milhões e prazo de 5 a 35 anos; a licitação é por concorrência ou diálogo competitivo.
  • Consórcio público (Lei 11.107/2005): união de entes federativos para objetivos comuns. Nasce de um protocolo de intenções ratificado por lei de cada ente, pode ser associação pública (direito público, integrante da administração indireta de todos os consorciados) ou pessoa jurídica de direito privado, recebe recursos dos entes por contrato de rateio e pode assumir obrigações por contrato de programa.

Um consórcio público de saúde formado por quatro municípios vai gastar R$ 110.000 em 2026 com material de expediente. Pelo critério de valor, ele pode contratar por dispensa?

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Gabarito: Sim, porque para consórcios públicos o limite é duplicado e passa a R$ 130.984,22 — o art. 75, § 2º, dobra os limites para consórcios públicos: 2 × 65.492,11. A última opção confunde: R$ 130.984,20 é o limite de obras e serviços de engenharia, não de compras; para uma prefeitura sozinha, R$ 110.000 em material de expediente exigiria licitação (pregão, por ser bem comum).

Um estado quer contratar, por meio de PPP, a manutenção de uma rede de escolas por 4 anos, num contrato de R$ 30 milhões. O que impede o uso de PPP?

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Gabarito: O prazo, porque o contrato de PPP deve ter no mínimo 5 anos — a Lei 11.079/2004 exige prazo de 5 a 35 anos e valor mínimo de R$ 10 milhões, que os R$ 30 milhões atendem. A licitação de PPP é por concorrência ou diálogo competitivo, não por pregão.

Classificação e codificação de materiais

  • Classificar é agrupar os materiais por critérios (tipo, uso, forma); identificar é descrever cada item com nomenclatura padronizada (nome básico, modificador, características, aplicação, embalagem, referência do fabricante); codificar é dar a cada item um código único; catalogar é reunir tudo num cadastro consultável.
  • Sistemas de código: alfabético, alfanumérico e numérico. Os numéricos estruturados (grupo, classe, número de identificação) vêm da tradição do sistema federal de suprimentos americano e do sistema de catalogação da OTAN, adotado pelas Forças Armadas brasileiras.
  • Um bom catálogo evita itens duplicados, facilita as licitações (a descrição já está pronta) e permite conferir o material no recebimento.
  • A captura automática do código evolui da digitação para o código de barras (leitura ótica, barata e universal) e para a RFID (radiofrequência: lê sem linha de visada, vários itens de uma vez, e permite rastrear cada unidade ao longo da cadeia).

Almoxarifado e armazenagem

Almoxarifado

  • Almoxarifado é o lugar e a organização que recebem, guardam, controlam e distribuem os materiais; estoque é o material.
  • Recebimento: conferência documental (pedido x NF-e), quantitativa (de preferência cega) e qualitativa, quarentena até a aceitação. No setor público, recebimento provisório e definitivo.
  • Armazenagem: endereço para cada posição (fixo ou variável), regras de compatibilidade e saída física pela ordem de entrada ou de validade (FIFO, FEFO), que não se confunde com a avaliação contábil do estoque.
  • Controle e inventário: nenhum movimento sem documento; inventário geral ou rotativo (este com frequência pela curva ABC). Acurácia = itens sem divergência ÷ itens contados.
  • Documentos: NF-e (arquivo fiscal digital, chave de 44 dígitos), DANFE (representação impressa que acompanha a carga), CT-e e MDF-e (transporte), romaneio (lista de volumes, não fiscal), requisição e devolução.

Centros de distribuição

  • Armazenar serve para consolidar transporte, estabilizar a produção, atender rápido, comprar em quantidade e proteger contra a incerteza.
  • Tipos: apoio à manufatura, misto, de consolidação; e hoje CDs de varejo, de comércio eletrônico, dark stores e operadores logísticos.
  • Cross-docking: recombinar a carga por destino sem estocar. Picking: separar quantidades fracionadas, por pedido, lote, zona ou onda.
  • Localização: centro de gravidade, X = Σ(volume × x) ÷ Σvolume e Y = Σ(volume × y) ÷ Σvolume, como primeiro palpite.

Equipamentos e otimização

  • Acessibilidade = endereçamento (rua, módulo, nível) + arranjo físico. Pesados, volumosos e de maior giro perto da saída; para desempatar, o índice espaço ocupado ÷ retiradas (menor índice, mais perto).
  • Carga unitizada: palete PBR (1,00 × 1,20 m), contêiner de 20 ou 40 pés (1 ou 2 TEU).
  • Equipamentos: paleteira, empilhadeira, rebocador, transportadores, ponte rolante, monovia, AGV e AMR. Estruturas: porta-paletes seletivo (acesso a tudo), drive-in e push-back (densidade), dinâmico (ordem de entrada), cantilever, mezanino, armazém automático.
  • Capacidade de um corredor = módulos × lados × posições por nível × níveis.

Numa contagem rotativa de 400 itens, 26 tinham divergência. Qual a acurácia do inventário, e o que fazer com os 26 itens?

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Gabarito: 93,5%; recontar, achar a causa e só então ajustar, com aprovação de alguém que não seja o almoxarife — (400 − 26) ÷ 400 = 374 ÷ 400 = 93,5%. Ajustar sem investigar apaga a pista de erros de processo e de desvios; 6,5% é a taxa de erro.

Transporte

  • Transporte mexe com estoque (lead time, estoque em trânsito, lote), armazenagem, compras (frete CIF, pago pelo remetente, ou FOB, pelo destinatário) e atendimento.
  • Cinco modais: rodoviário (flexível, porta a porta), ferroviário (grande volume em longa distância), aquaviário (o menor custo por tonelada·km; inclui longo curso, cabotagem e hidroviário), dutoviário (fluxo contínuo de líquidos e gases), aéreo (rápido e caro).
  • Qualidade do serviço: tempo porta a porta, confiabilidade (variação do prazo), avarias, disponibilidade, flexibilidade, rastreabilidade.
  • Custos: rodoviário com fixo baixo e variável alto; ferrovia, navio e duto o contrário. Daí as economias de escala e de distância.
  • Frete cobrado pelo maior entre peso real e peso cubado (rodoviário: costuma-se usar 300 kg/m³; aéreo, cerca de 167 kg/m³).
  • Escolha pelo custo total: frete + estoque em trânsito (D × valor × taxa × dias ÷ 365) + estoque no destino (lote ÷ 2 × valor × taxa). Mercadoria barata favorece modais lentos e baratos; mercadoria cara, modais rápidos e lotes pequenos.
  • Multimodal (Lei 9.611/1998): contrato único, Conhecimento de Transporte Multimodal, responsabilidade única do OTM. Intermodal: vários contratos e responsáveis.
  • Matriz de cargas do Brasil (CNT, maio de 2026): rodoviário 64,85%, ferroviário 14,95%, cabotagem 10,47%, hidroviário 5,25%, dutoviário 4,45%, aéreo 0,03%.
  • Tendências: rastreamento, TMS integrado ao WMS, soluções de última milha, descarbonização.

Uma empresa compara caminhão e ferrovia para um produto. O frete ferroviário é bem mais barato, mas o trânsito é mais longo e os lotes são maiores. Se o valor do produto por tonelada aumentar muito, o que acontece com a comparação?

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Gabarito: A vantagem tende a passar para o caminhão, porque os custos de estoque em trânsito e no destino crescem com o valor do produto — o frete não depende do valor da carga, mas o custo de manter estoque, sim. Com produto caro, cada dia a mais em trânsito e cada tonelada a mais parada no destino custam mais do que a economia de frete.

Exercício integrado resolvido

Um consórcio público de saúde, formado por quatro municípios, vai montar um almoxarifado central para abastecer as unidades de saúde de cada município. Os dados:

Municípiox (km)y (km)Demanda (caixas/mês)
M100500
M2400300
M34030100
M4030100

a) Onde instalar o almoxarifado, como primeiro palpite?

Pelo centro de gravidade: X = (500 × 0 + 300 × 40 + 100 × 40 + 100 × 0) ÷ 1.000 = 16.000 ÷ 1.000 = 16 km. Y = (500 × 0 + 300 × 0 + 100 × 30 + 100 × 30) ÷ 1.000 = 6.000 ÷ 1.000 = 6 km. O ponto (16; 6) fica perto de M1, que tem metade da demanda. Antes de decidir, é preciso verificar acesso rodoviário, imóveis disponíveis e custo.

b) Como comprar os medicamentos de uso contínuo, cujas quantidades mensais variam?

São bens comuns, portanto a modalidade é o pregão. Como as compras são frequentes e a quantidade é incerta, o mais adequado é o Sistema de Registro de Preços: faz-se um pregão para registrar os preços numa ata, que vale 1 ano e pode ser prorrogada por mais 1 se o preço continuar vantajoso, e o consórcio compra conforme a necessidade, sem obrigação de comprar a quantidade estimada.

c) Como receber e guardar os medicamentos?

Recebimento provisório pelo fiscal do contrato, com conferência da NF-e contra o pedido e contagem cega, e recebimento definitivo por servidor ou comissão, com termo detalhado. Guarda com endereço, controle de lote e validade, saída pela ordem de vencimento (FEFO) e inventário rotativo, com os itens A da curva ABC contados com mais frequência.

d) Uma remessa de 3 m³ de soro pesa 700 kg. Por qual peso a transportadora rodoviária cobrará, usando 300 kg/m³?

Peso cubado = 3 × 300 = 900 kg, maior que os 700 kg reais. O frete será cobrado sobre 900 kg. Se a mesma carga fosse em caixas mais compactas, de 2 m³, o cubado seria 600 kg e o frete passaria a ser cobrado sobre os 700 kg reais: a embalagem também mexe no custo do transporte.

e) O consórcio precisa comprar um equipamento de informática de R$ 120.000. Pode fazer por dispensa?

Pelo valor, sim: R$ 120.000 está abaixo do limite duplicado para consórcios públicos em compras (2 × R$ 65.492,11 = R$ 130.984,22), desde que, somado ao que o consórcio já gastou no ano com objetos da mesma natureza, o total não ultrapasse esse limite.

Para seguir estudando

  • Refaça as contas desta revisão sem olhar as respostas: comprar ou fabricar, centro de gravidade, capacidade de armazém, peso cubado e custo total por modal.
  • Leia no Planalto a Lei 14.133/2021 nos artigos citados (17, 28, 33, 55, 74, 75, 82 a 86, 106, 107, 125 e 140) e confira, no início de cada ano, o decreto que atualiza os valores.
  • Se puder, visite um almoxarifado ou CD e tente identificar o endereçamento, as estruturas, os equipamentos e o caminho do material, do recebimento à expedição.

Exercícios

Fáceis

1) Fabricar uma peça custa R$ 90.000 por ano de custo fixo mais R$ 12 por unidade; comprá-la custa R$ 18 por unidade. Qual o ponto de equilíbrio entre comprar e fabricar?

2) Quais são as modalidades de licitação da Lei 14.133/2021? Cite duas da lei antiga que deixaram de existir.

3) Numa contagem rotativa de 250 itens, 12 tinham divergência. Qual a acurácia do inventário?

4) Um corredor de porta-paletes tem 18 módulos de cada lado, 2 posições por nível e 5 níveis. Quantas posições ele tem?

5) Uma carga de 2,5 m³ pesa 600 kg. Por qual peso será cobrado o frete rodoviário, usando 300 kg/m³?

Difíceis

6) Com os dados do exercício 1:
a) qual o custo de comprar e o de fabricar para 20.000 unidades por ano, e quanto se economiza com a melhor opção?
b) e para 10.000 unidades?
c) Cite dois fatores, além do custo, que podem mudar a decisão.

7) Em 2026, uma prefeitura já gastou R$ 40.000 com material de expediente e quer comprar mais R$ 30.000 do mesmo material.
a) Ela pode contratar por dispensa de baixo valor?
b) E se a compra fosse feita por um consórcio público de municípios, com os mesmos valores?
c) Se não puder dispensar, qual a modalidade?

8) Um almoxarifado central vai abastecer três hospitais: H1 em (0; 0) km, com 200 caixas por semana; H2 em (60; 0), com 100; H3 em (30; 40), com 200. Calcule o centro de gravidade.

9) Uma empresa envia 2.400 t por ano de um produto que vale R$ 30.000 por tonelada, com custo de manter estoque de 25% ao ano. O rodoviário cobra R$ 600/t, leva 3 dias e embarca lotes de 24 t; o ferroviário cobra R$ 380/t, leva 9 dias e embarca lotes de 240 t. Qual modal tem o menor custo total?

10) Um órgão público tem dois contratos: um de fornecimento de material de limpeza de R$ 800.000 e outro de reforma de um prédio de R$ 2.000.000.
a) Até quanto a administração pode acrescer cada um, obrigando o contratado a aceitar?
b) Se o primeiro for de fornecimento contínuo, por quanto tempo pode ser contratado e até quanto pode ser prorrogado?

Gabarito

1) Ponto de equilíbrio = 90.000 ÷ (18 − 12) = 90.000 ÷ 6 = 15.000 unidades por ano. Acima disso, fabricar compensa.

2) Pregão, concorrência, concurso, leilão e diálogo competitivo (art. 28). Deixaram de existir a tomada de preços e o convite.

3) (250 − 12) ÷ 250 = 238 ÷ 250 = 95,2%.

4) 18 × 2 × 2 × 5 = 360 posições.

5) Peso cubado = 2,5 × 300 = 750 kg, maior que os 600 kg reais. Cobra-se por 750 kg.

6) a) Comprar: 18 × 20.000 = R$ 360.000. Fabricar: 90.000 + 12 × 20.000 = 90.000 + 240.000 = R$ 330.000. Fabricar economiza R$ 30.000 por ano.
b) Comprar: 18 × 10.000 = R$ 180.000. Fabricar: 90.000 + 12 × 10.000 = R$ 210.000. Comprar economiza R$ 30.000 (10.000 está abaixo do ponto de equilíbrio de 15.000).
c) Por exemplo: qualidade, domínio da tecnologia, capacidade ociosa da fábrica, risco de depender de um só fornecedor, segredo industrial.

7) a) Não. O limite vale para a soma do exercício com objetos da mesma natureza: 40.000 + 30.000 = R$ 70.000, acima do limite de compras de 2026, R$ 65.492,11 (Decreto 12.807/2025). Dividir a compra seria fracionamento.
b) Sim, pelo valor: para consórcios públicos o limite é duplicado (art. 75, § 2º), 2 × 65.492,11 = R$ 130.984,22, e R$ 70.000 está abaixo.
c) Pregão, porque material de expediente é bem comum.

8) Σ caixas = 200 + 100 + 200 = 500.
X = (200 × 0 + 100 × 60 + 200 × 30) ÷ 500 = (0 + 6.000 + 6.000) ÷ 500 = 12.000 ÷ 500 = 24 km.
Y = (200 × 0 + 100 × 0 + 200 × 40) ÷ 500 = 8.000 ÷ 500 = 16 km.
Centro de gravidade: (24; 16).

9) Rodoviário: frete 2.400 × 600 = R$ 1.440.000; trânsito 2.400 × 30.000 × 0,25 × 3 ÷ 365 = R$ 147.945; destino (24 ÷ 2) × 30.000 × 0,25 = R$ 90.000; total R$ 1.677.945.
Ferroviário: frete 2.400 × 380 = R$ 912.000; trânsito 2.400 × 30.000 × 0,25 × 9 ÷ 365 = R$ 443.836; destino (240 ÷ 2) × 30.000 × 0,25 = R$ 900.000; total R$ 2.255.836.
O rodoviário é mais barato em cerca de R$ 577.891 por ano: com mercadoria cara, o estoque em trânsito e o lote grande da ferrovia comem a economia de R$ 528.000 no frete.

10) a) Fornecimento: até 25% do valor inicial atualizado, 0,25 × 800.000 = R$ 200.000. Reforma de edifício: acréscimos de até 50%, 0,50 × 2.000.000 = R$ 1.000.000 (art. 125 da Lei 14.133/2021).
b) Até 5 anos, prorrogáveis até 10 anos no total (arts. 106 e 107).

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