IntroduçãoCom o aumento do número de materiais usados nas empresas e a exigência dos consumidores por novos produtos, tornou-se necessário criar uma linguagem única que identificasse, sem ambiguidade, cada item de material. Essa linguagem tem duas partes: a classificação e a codificação.De nada adianta criar um sistema de classificação sem acoplar a ele um sistema de codificação. A classificação agrupa os materiais segundo critérios como forma, dimensões, peso, tipo e uso; a codificação dá a cada item um símbolo único. Com as duas é possível montar um catálogo de todos os materiais da empresa, com especificação e padronização, o que simplifica os controles, a armazenagem e a operação do almoxarifado.Pense no que acontece sem isso: o mesmo parafuso cadastrado três vezes, como "parafuso sextavado 10 mm", "paraf. sext. M10" e "parafuso cabeça hexagonal", cada um com seu estoque. A empresa compra o que já tem, deixa faltar o que acha que tem e não consegue somar quanto gasta com o item.Classificação de materiaisA classificação tem por objetivo estabelecer um processo de identificação, codificação, cadastramento e catalogação dos materiais. Antes de entrar nessas fases, vale lembrar que um mesmo material pode ser classificado por vários critérios, cada um útil para uma decisão:por tipo e uso: matéria-prima, componente, material de embalagem, de manutenção, de escritório, produto acabado;por valor de consumo: a classificação ABC;por criticidade: a classificação XYZ (as duas estão na aula sobre classificação ABC e XYZ);por perecibilidade: itens com prazo de validade, que exigem saída na ordem de vencimento;por periculosidade: inflamáveis, corrosivos, tóxicos, organizados nas classes de risco da ONU usadas na regulamentação do transporte de produtos perigosos;por armazenagem: peso, volume, temperatura e forma de estocagem exigidos.IdentificaçãoA primeira fase é a identificação: analisar e registrar os dados que caracterizam e individualizam cada item, para atribuir a ele uma descrição padronizada. A descrição é montada sempre na mesma ordem:nome básico: o que o material é (parafuso);nome modificador: a denominação complementar (sextavado);características físicas: material, dimensões, acabamento;aplicação: onde é usado;embalagem: como é fornecido (tinta em galão ou em balde, parafuso em caixa com 100);referência comercial: o código do fabricante.Exemplo: PARAFUSO SEXTAVADO; aço carbono classe 8.8; rosca métrica M10 × 1,5; comprimento 50 mm; zincado; uso geral em montagem de estruturas; caixa com 100 unidades; ref. fabricante XYZ-1050. Quem descreve assim não cadastra o mesmo item duas vezes, porque a ordem e os termos são sempre os mesmos.CodificaçãoDepois de identificado, cada material recebe um código: uma série de números, ou de letras e números, que representa o item num único símbolo. Os três sistemas mais usados são:Alfabético: só letras, em geral de forma mnemônica (PAR para parafuso, por exemplo). É fácil de lembrar, mas tem poucas combinações e caiu em desuso.Alfanumérico: mistura letras e números. Muito usado na indústria de autopeças.Numérico: só números, organizados de forma lógica e hierárquica. É o mais usado, porque é fácil de ordenar, de ler por máquina e de expandir.O sistema numérico hierárquico tem origem nas classificações decimais de bibliotecas: a Classificação Decimal de Dewey, criada pelo bibliotecário americano Melvil Dewey em 1876, e a Classificação Decimal Universal (CDU), que os belgas Paul Otlet e Henri La Fontaine desenvolveram a partir dela. A ideia é a mesma: cada grupo de dígitos desce um nível. Um código como 05.12.0345 pode significar grupo 05 (ferragens), classe 12 (parafusos) e item 0345 (aquele parafuso sextavado M10).Do FSN ao NSNEssa lógica foi levada ao extremo pelo governo dos Estados Unidos, que precisava catalogar milhões de itens das forças armadas. A partir de 1953 passou a usar o Federal Stock Number (FSN), de 11 dígitos: os 4 primeiros formavam a classe de suprimento da Federal Supply Classification (FSC) e os 7 seguintes identificavam o item. Em 1974 o FSN foi substituído pelo NSN (National Stock Number, que nos países da OTAN se lê NATO Stock Number), de 13 dígitos:Estrutura do NSN: classe de suprimento, país que catalogou e número do item4 dígitos de classe (FSC): os dois primeiros são o grupo e os quatro juntos a classe. Por exemplo, o grupo 53 reúne ferragens e a classe 5305, parafusos.2 dígitos do país que catalogou o item (o código do bureau nacional de catalogação): 00 e 01 para os Estados Unidos, 19 para o Brasil.7 dígitos do item, um número sequencial sem significado próprio.Os 9 últimos dígitos (país + item) formam o NIIN, que sozinho já identifica o item; a classe na frente serve para agrupar. Um exemplo real de formato: 8415-00-082-5645 (classe 8415, catalogado pelos Estados Unidos). A conversão do FSN antigo para o NSN foi simples: bastou inserir "00" depois dos quatro primeiros dígitos.O Sistema OTAN de Catalogação é usado desde o pós-guerra pelos Estados Unidos e depois pelos demais países da OTAN e por vários parceiros, entre eles o Brasil. Como os principais fabricantes dos equipamentos das Forças Armadas Brasileiras o adotam, o país o seguiu. A história, segundo o próprio Ministério da Defesa:1968: o Estado-Maior das Forças Armadas cria a Comissão Permanente de Catalogação de Material (CPCM);1982: é criado o Sistema Militar de Catalogação (SISMICAT);1986: é criado o Número de Estoque Brasileiro (NEB), com estrutura semelhante ao NSN;1998: o sistema é reorganizado para facilitar a troca de dados entre Marinha, Exército e Aeronáutica, e é criado o Centro de Catalogação das Forças Armadas (CECAFA);2017: o SISMICAT passa a se chamar Sistema de Catalogação de Defesa (SISCADE), e o centro, depois de se chamar Centro de Catalogação de Defesa, torna-se o Centro de Apoio a Sistemas Logísticos de Defesa (CASLODE).O catálogo do governo federal: CATMATA mesma lógica aparece nas compras públicas civis. O governo federal mantém o CATMAT (catálogo de materiais) e o CATSER (catálogo de serviços), usados no sistema Compras.gov.br. Todo item comprado pela administração federal precisa ter um código nesses catálogos. A estrutura do CATMAT tem quatro níveis:Grupo: 2 dígitos (por exemplo, 65, equipamentos e artigos de uso médico, odontológico e veterinário);Classe: 4 dígitos, cujos dois primeiros são o grupo (6505, medicamentos; 6515, instrumentos e artigos médicos e cirúrgicos);PDM (Padrão Descritivo de Material): o nome padronizado e a lista de características que descrevem um conjunto de itens, exatamente a ideia de nome básico, modificador e características que vimos acima;Item: cada combinação de valores dessas características vira um item, com código próprio.Repare que os números de grupo e classe são os mesmos da FSC americana: 65, 6505 e 6515 têm o mesmo significado lá e aqui.Um NSN é escrito como 5305-19-XXX-XXXX. O que os dígitos 19 informam?Gabarito: Que o item foi catalogado pelo Brasil — no NSN, os dois dígitos depois da classe de quatro dígitos são o código do país que catalogou o item, e 19 é o código brasileiro. O grupo está nos dois primeiros dígitos (53, ferragens), e o número do item são os sete últimos.Cadastramento e catalogaçãoDepois de codificado, o material é cadastrado: registrado com todas as suas características no sistema (hoje, o cadastro de materiais do ERP). O cadastro tem três operações básicas: inclusão de um item novo, alteração quando alguma característica muda e exclusão (ou inativação) quando o item deixa de ser usado.A última fase é a catalogação: a consolidação de todos os dados num banco de dados de materiais que:permite a todos os usuários consultar o material de que precisam e tirar dúvidas sobre suas características;facilita as cotações e licitações, porque a especificação já está pronta;evita a duplicidade de itens no catálogo;permite conferir os dados cadastrais com os documentos dos materiais.O catálogo só funciona se houver um responsável por ele. Se qualquer pessoa puder incluir itens livremente, as duplicidades voltam em poucos meses.Ao revisar o cadastro, um almoxarife encontra os itens 'LÂMPADA LED 9W BRANCA' e 'LAMP. LED BULBO 9 W 6500K E27', com códigos e estoques diferentes, e descobre que são o mesmo produto. Qual fase do processo falhou?Gabarito: A identificação, que deveria ter dado uma descrição padronizada ao item — com nome básico, modificador e características sempre na mesma ordem, a segunda inclusão seria barrada como duplicada. O código diferente é consequência, não causa: cada descrição diferente ganhou um código.Código de barrasA codificação ganhou um grande impulso com as tecnologias de captura automática de dados, que substituíram a digitação dos códigos. Digitar números longos o dia inteiro é lento e cheio de erros; ler um código com um leitor ótico leva uma fração de segundo.Duas tecnologias foram estudadas para isso:Código magnético: a informação fica gravada numa tarja de material magnetizável, como a dos antigos bilhetes de metrô e cartões de banco. Exige contato com o leitor e um material especial, mais caro. E, ao contrário do que se pensava, é fácil de copiar: foi justamente a clonagem das tarjas que levou os bancos a adotar o cartão com chip.Código de barras: a informação é impressa oticamente, em barras e espaços de larguras diferentes, com tinta comum em qualquer embalagem. É barato e por isso venceu.A patente do código de barras foi concedida nos Estados Unidos em 1952 por Norman Woodland e Bernard Silver, mas a tecnologia só pegou com os leitores a laser: a primeira leitura num caixa de supermercado, de um pacote de chicletes com código UPC, aconteceu em 1974. Hoje o código de barras está em embalagens industriais e comerciais, no despacho de cargas, no controle de almoxarifado e em qualquer loja.O EAN-13 e o GTINO código mais comum no varejo brasileiro é o EAN-13, que carrega um GTIN-13 (Global Trade Item Number, número global do item comercial), administrado no mundo pela organização GS1 e, aqui, pela GS1 Brasil. Ele tem 13 dígitos:Código EAN-13 com prefixo brasileiro e dígito verificador (número fictício)prefixo GS1: 789 e 790 são os prefixos da GS1 Brasil. Atenção: eles indicam onde a empresa se registrou, não onde o produto foi fabricado; um importador brasileiro pode usar 789 num produto feito na China;código da empresa e do produto: atribuídos pela GS1 à empresa, que numera os próprios produtos;dígito verificador: o último, calculado a partir dos outros doze. Ele serve para o leitor (ou o sistema) recusar um código lido ou digitado errado.O GTIN também vai para a nota fiscal eletrônica, o que liga o item da prateleira ao item do documento fiscal.Como se calcula o dígito verificadorSome os dígitos das posições ímpares (1ª, 3ª, 5ª...) dos doze primeiros.Some os dígitos das posições pares e multiplique por 3.Some os dois resultados.O dígito verificador é o que falta para chegar ao próximo múltiplo de 10 (se a soma já for múltiplo de 10, é 0).Exemplo com 789123456789:posições ímpares: 7 + 9 + 2 + 4 + 6 + 8 = 36;posições pares: (8 + 1 + 3 + 5 + 7 + 9) × 3 = 33 × 3 = 99;soma: 36 + 99 = 135;próximo múltiplo de 10: 140, então o dígito é 140 − 135 = 5. O código completo é 7891234567895.Qual é o dígito verificador do código EAN-13 que começa com 789100031550?Gabarito: 7 — posições ímpares: 7 + 9 + 0 + 0 + 1 + 5 = 22; posições pares: (8 + 1 + 0 + 3 + 5 + 0) × 3 = 51; soma 73; o próximo múltiplo de 10 é 80, logo 80 − 73 = 7. A resposta 3 é o último dígito da soma, e não o que falta para chegar a 80.Outros códigosGS1-128: código linear longo usado em caixas e paletes, que além do produto carrega lote, validade, peso e outras informações logísticas.DataMatrix: código bidimensional pequeno, muito usado em medicamentos e peças industriais.QR Code: bidimensional, lido por qualquer celular, carrega bem mais informação que o EAN.O varejo mundial está em transição para os códigos bidimensionais: a iniciativa Sunrise 2027, da GS1, prevê que até o fim de 2027 os caixas estejam prontos para ler também códigos 2D com o GTIN, como o QR Code no padrão GS1 Digital Link, que pode levar o consumidor a informações do produto. O EAN-13 não será abolido de uma vez: os dois devem conviver por bastante tempo.Identificação por radiofrequência (RFID)A tecnologia não parou no código de barras. Na identificação por radiofrequência (RFID), a informação fica num chip ligado a uma pequena antena, a etiqueta (tag), e é lida por ondas de rádio, sem contato e sem necessidade de enxergar a etiqueta.A ideia não é nova: suas raízes estão nos sistemas de identificação de aviões amigos e inimigos da Segunda Guerra Mundial, e as primeiras patentes de etiquetas RFID são dos anos 1970. O que a tornou útil para a logística foi o trabalho do Auto-ID Center, criado em 1999 no Massachusetts Institute of Technology (MIT), que propôs o EPC (Electronic Product Code), um número único para cada unidade de produto gravado na etiqueta. Esse padrão é hoje mantido pela GS1, a mesma organização do código de barras.Como funcionaUm sistema RFID tem três partes: a etiqueta, o leitor (com sua antena) e o software que recebe os dados. As etiquetas podem ser:passivas: sem bateria, usam a energia da onda do leitor para responder. São baratas e as mais usadas em logística e varejo;ativas: têm bateria própria, alcance de dezenas de metros, e custam mais. Servem para rastrear contêineres, veículos e ativos caros.Elas variam muito em tamanho, capacidade de dados, vida útil e resistência: há etiquetas encapsuladas para ambientes químicos agressivos, etiquetas costuradas em roupas e dispositivos fixados no animal, na pecuária. O NFC do celular, usado no pagamento por aproximação, é uma forma de RFID de curtíssimo alcance, e as tags de pedágio automático dos carros também são RFID.Código de barras ou RFID?Código de barrasRFIDLeiturauma por vez, precisa enxergar o códigomuitas ao mesmo tempo, sem precisar enxergarIdentificaem geral o tipo de produto (todos os iguais têm o mesmo GTIN)pode identificar cada unidade (EPC)Custo por etiquetapraticamente zero (impressão)centavos para as passivas; bem mais para as ativasDadosfixos, impressospodem ser regravados, nas etiquetas que permitemLimitaçõessujeira, rasgo, ângulo de leiturametal e líquidos atrapalham a leitura; custo dos leitoresA grande vantagem do RFID é o rastreamento de cada unidade ao longo da cadeia de suprimentos e a leitura em massa: um portal de leitura na doca registra um palete inteiro de caixas sem que ninguém abra nada, e um inventário que levaria um dia com leitor de código de barras pode levar minutos. Por isso ele se espalhou primeiro nos itens de valor maior ou nas cadeias em que a contagem manual é cara, como lojas de roupas e centros de distribuição.Um exemplo brasileiro atual é a pecuária. O Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), com cronograma fixado pela Portaria SDA/MAPA nº 1.331, de julho de 2025, prevê a identificação individual de todo o rebanho de forma gradual até o fim de 2032; a partir de 1º de janeiro de 2033, fica proibido movimentar bovinos e búfalos que não estejam identificados e registrados no sistema oficial. Brincos com chip RFID estão entre as tecnologias usadas para isso, porque permitem ler o animal sem contê-lo.Um centro de distribuição de roupas quer fazer o inventário de 200 mil peças em poucas horas, sem abrir as caixas, e saber exatamente qual peça saiu em cada pedido. Qual tecnologia atende melhor?Gabarito: Etiquetas RFID passivas com EPC, lidas em massa — o RFID lê muitas etiquetas ao mesmo tempo sem precisar enxergá-las, e o EPC identifica cada unidade, não só o tipo de produto. O EAN-13 é mais barato, mas exige ler peça a peça e todas as camisetas iguais têm o mesmo código. A classificação ABC ajuda a decidir o que contar com mais frequência, mas não é uma tecnologia de leitura.ExercíciosFáceis1) Qual a diferença entre classificar, identificar, codificar, cadastrar e catalogar um material?2) Escreva a descrição padronizada (nome básico, modificador, características, aplicação, embalagem e referência) de três materiais que você tem em casa.3) Explique a estrutura do NSN e o que significa o código 19 dentro dele.4) Pegue três produtos do seu armário, confira o dígito verificador do código de barras de cada um e verifique se o prefixo indica onde o produto foi fabricado.5) Cite duas vantagens e duas limitações do RFID em relação ao código de barras.6) Calcule o dígito verificador do EAN-13 cujos doze primeiros dígitos são 789456123001.Difíceis7) O código verdadeiro de um produto é 7891000315507. No caixa, três operadores digitaram errado:a) 7891000315504;b) 7891000351507;c) 7891000315057.Para cada código digitado, calcule o dígito verificador que os doze primeiros dígitos exigiriam e diga se o sistema recusaria o código. Algum erro passou? Explique por quê.8) Um item militar tem o NSN 5305-19-123-4567 (número ilustrativo).a) Qual é o grupo, a classe, o país que catalogou e o NIIN?b) Um manual antigo traz o FSN 5305-123-4567 para um item catalogado pelos Estados Unidos. Como fica o NSN dele?c) No CATMAT, um item da classe 6505 pertence a que grupo, e o que esse grupo reúne?9) Uma empresa vai criar um código numérico hierárquico (grupo, classe, item) para os seus materiais. Hoje ela tem 8 grupos, no máximo 60 classes num mesmo grupo e no máximo 3.500 itens numa mesma classe, e quer que cada nível tenha um número fixo de dígitos.a) Quantos dígitos são necessários em cada nível, no mínimo, e quantos no total?b) Quantos itens esse código comporta no total?c) Compare com um código alfabético mnemônico de 3 letras: quantas combinações ele tem?d) Que folga você daria ao grupo, sabendo que a empresa pretende crescer?10) O cadastro de uma empresa tem estas três descrições, cada uma com código e estoque próprios: 'TINTA ACRIL. BRANCA 18L', 'TINTA ACRÍLICA FOSCA BRANCO NEVE GALÃO 18 LITROS SUVINIL' e 'LÁTEX BRANCO 18 L P/ PAREDE'. Descobriu-se que são o mesmo produto, a referência 50123 do fabricante, usado na pintura de paredes internas.a) Escreva a descrição padronizada única, na ordem da aula.b) Que três consequências práticas o cadastro triplicado provoca?c) Que regra de gestão do catálogo evita que o problema volte?11) Uma loja de roupas faz 12 inventários completos por ano de 200.000 peças. Com leitor de código de barras, cada peça leva 2 segundos. Com RFID, um portal lê uma caixa de 50 peças em 3 segundos. A hora de trabalho custa R$ 30, e cada etiqueta RFID passiva custa R$ 0,15. O estoque gira 4 vezes por ano, e toda peça que entra precisa de etiqueta nova.a) Quantas horas de trabalho cada tecnologia gasta por inventário?b) Qual é o custo anual de mão de obra dos inventários em cada caso?c) Quantas etiquetas e quanto em etiquetas a loja gasta por ano com RFID?d) Só pela economia nos inventários, o RFID se paga? Que outros ganhos poderiam justificar a troca?Gabarito1) Classificar é agrupar os materiais por critérios (tipo, valor, criticidade, periculosidade). Identificar é registrar os dados que individualizam o item numa descrição padronizada. Codificar é dar ao item um símbolo único. Cadastrar é registrar o item, com todas as características, no sistema (inclusão, alteração, exclusão). Catalogar é consolidar tudo num banco de dados de materiais consultável por todos.2) Resposta pessoal. Modelo: SABÃO EM PÓ; para roupas; uso em máquina de lavar; caixa de 1,6 kg; ref. do fabricante. O que se corrige é a ordem: nome básico, modificador, características, aplicação, embalagem e referência.3) São 13 dígitos: 4 da classe de suprimento (os 2 primeiros são o grupo), 2 do país que catalogou o item e 7 do número do item. Os 9 últimos formam o NIIN. O 19 é o código do Brasil: indica que o item foi catalogado pelo Brasil.4) Resposta pessoal, com a conta da aula (ímpares + 3 × pares, e o que falta para o próximo múltiplo de 10). Sobre o prefixo: 789 e 790 indicam que a empresa se registrou na GS1 Brasil, não que o produto foi fabricado no Brasil.5) Vantagens: lê muitas etiquetas ao mesmo tempo, sem precisar enxergá-las; pode identificar cada unidade (EPC); pode ter dados regravados. Limitações: etiqueta e leitores custam mais; metal e líquidos atrapalham a leitura.6) Ímpares: 7 + 9 + 5 + 1 + 3 + 0 = 25. Pares: (8 + 4 + 6 + 2 + 0 + 1) × 3 = 21 × 3 = 63. Soma: 25 + 63 = 88. Próximo múltiplo de 10: 90. Dígito: 90 − 88 = 2. Código completo: 7894561230012.7) a) Os doze primeiros são os do código verdadeiro, que exigem dígito 7 (ímpares 7 + 9 + 0 + 0 + 1 + 5 = 22; pares (8 + 1 + 0 + 3 + 5 + 0) × 3 = 51; soma 73; 80 − 73 = 7). Digitou 4: recusado.b) 789100035150: ímpares 7 + 9 + 0 + 0 + 5 + 5 = 26; pares (8 + 1 + 0 + 3 + 1 + 0) × 3 = 39; soma 65; dígito exigido 5. Digitou 7: recusado. Foi a troca do 1 com o 5.c) 789100031505: ímpares 7 + 9 + 0 + 0 + 1 + 0 = 17; pares (8 + 1 + 0 + 3 + 5 + 5) × 3 = 66; soma 83; dígito exigido 7. Digitou 7: aceito, embora errado (o 5 e o 0 foram trocados). Ao trocar dois dígitos vizinhos a e b, um passa de peso 1 para peso 3 e o outro de 3 para 1, e a soma muda em 2 × (a − b). Com a − b = 5, a mudança é 10, múltiplo de 10, e o dígito verificador não percebe. O EAN pega todo erro de um dígito só e quase todas as trocas de vizinhos, menos as de dígitos que diferem em 5.8) a) Grupo 53 (ferragens), classe 5305 (parafusos), país 19 (Brasil), NIIN 19-123-4567 (os 9 últimos dígitos).b) Insere-se 00 depois da classe: 5305-00-123-4567.c) Grupo 65 (os dois primeiros dígitos da classe), que reúne equipamentos e artigos de uso médico, odontológico e veterinário; 6505 são os medicamentos.9) a) Grupo: 8 cabe em 1 dígito (até 10). Classe: 60 exige 2 dígitos (até 100). Item: 3.500 exige 4 dígitos (até 10.000). Total: 1 + 2 + 4 = 7 dígitos.b) 10 × 100 × 10.000 = 10.000.000 de combinações.c) 26 × 26 × 26 = 17.576 combinações, bem menos, e é por isso que o alfabético caiu em desuso.d) Com 8 grupos ocupados de 10 possíveis, sobram só 2. Usar 2 dígitos no grupo (até 100 grupos) leva o código a 8 dígitos, mas evita refazer a codificação quando a empresa crescer.10) a) TINTA ACRÍLICA; fosca; cor branco neve; para pintura de paredes internas; galão de 18 litros; ref. fabricante 50123 (nome básico, modificador, características, aplicação, embalagem e referência).b) A empresa compra o que já tem (o saldo está dividido em três códigos), deixa faltar quando um dos códigos zera embora os outros tenham saldo, e não consegue somar quanto consome e gasta com o item (o que distorce a classificação ABC e a previsão de demanda).c) Um responsável pelo catálogo: ninguém inclui item sem passar por ele, que confere se a descrição padronizada já existe.11) a) Código de barras: 200.000 × 2 = 400.000 segundos ÷ 3.600 = 111,1 horas. RFID: 200.000 ÷ 50 = 4.000 caixas × 3 = 12.000 segundos ÷ 3.600 = 3,33 horas.b) Código de barras: 111,1 × 12 × 30 = R$ 40.000 por ano. RFID: 3,33 × 12 × 30 = R$ 1.200 por ano. Economia: R$ 38.800.c) Entram 200.000 × 4 = 800.000 peças por ano, cada uma com etiqueta: 800.000 × 0,15 = R$ 120.000 por ano.d) Não: a economia de R$ 38.800 não cobre os R$ 120.000 de etiquetas, e ainda faltam os leitores. O RFID se justificaria por outros ganhos: menos ruptura (o saldo fica certo e a loja vende o que tem), conferência de recebimento e expedição sem abrir caixas, rastreamento de cada peça, menos furto. Ou por etiqueta mais barata.
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