Classificação e codificação de materiais: do NSN ao código de barras e RFID

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Como identificar, codificar e catalogar materiais: descrição padronizada, NSN e CATMAT, código de barras EAN-13 com dígito verificador e RFID.

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Introdução

Com o aumento do número de materiais usados nas empresas e a exigência dos consumidores por novos produtos, tornou-se necessário criar uma linguagem única que identificasse, sem ambiguidade, cada item de material. Essa linguagem tem duas partes: a classificação e a codificação.

De nada adianta criar um sistema de classificação sem acoplar a ele um sistema de codificação. A classificação agrupa os materiais segundo critérios como forma, dimensões, peso, tipo e uso; a codificação dá a cada item um símbolo único. Com as duas é possível montar um catálogo de todos os materiais da empresa, com especificação e padronização, o que simplifica os controles, a armazenagem e a operação do almoxarifado.

Pense no que acontece sem isso: o mesmo parafuso cadastrado três vezes, como "parafuso sextavado 10 mm", "paraf. sext. M10" e "parafuso cabeça hexagonal", cada um com seu estoque. A empresa compra o que já tem, deixa faltar o que acha que tem e não consegue somar quanto gasta com o item.

Classificação de materiais

A classificação tem por objetivo estabelecer um processo de identificação, codificação, cadastramento e catalogação dos materiais. Antes de entrar nessas fases, vale lembrar que um mesmo material pode ser classificado por vários critérios, cada um útil para uma decisão:

  • por tipo e uso: matéria-prima, componente, material de embalagem, de manutenção, de escritório, produto acabado;
  • por valor de consumo: a classificação ABC;
  • por criticidade: a classificação XYZ (as duas estão na aula sobre classificação ABC e XYZ);
  • por perecibilidade: itens com prazo de validade, que exigem saída na ordem de vencimento;
  • por periculosidade: inflamáveis, corrosivos, tóxicos, organizados nas classes de risco da ONU usadas na regulamentação do transporte de produtos perigosos;
  • por armazenagem: peso, volume, temperatura e forma de estocagem exigidos.

Identificação

A primeira fase é a identificação: analisar e registrar os dados que caracterizam e individualizam cada item, para atribuir a ele uma descrição padronizada. A descrição é montada sempre na mesma ordem:

  • nome básico: o que o material é (parafuso);
  • nome modificador: a denominação complementar (sextavado);
  • características físicas: material, dimensões, acabamento;
  • aplicação: onde é usado;
  • embalagem: como é fornecido (tinta em galão ou em balde, parafuso em caixa com 100);
  • referência comercial: o código do fabricante.

Exemplo: PARAFUSO SEXTAVADO; aço carbono classe 8.8; rosca métrica M10 × 1,5; comprimento 50 mm; zincado; uso geral em montagem de estruturas; caixa com 100 unidades; ref. fabricante XYZ-1050. Quem descreve assim não cadastra o mesmo item duas vezes, porque a ordem e os termos são sempre os mesmos.

Codificação

Depois de identificado, cada material recebe um código: uma série de números, ou de letras e números, que representa o item num único símbolo. Os três sistemas mais usados são:

  • Alfabético: só letras, em geral de forma mnemônica (PAR para parafuso, por exemplo). É fácil de lembrar, mas tem poucas combinações e caiu em desuso.
  • Alfanumérico: mistura letras e números. Muito usado na indústria de autopeças.
  • Numérico: só números, organizados de forma lógica e hierárquica. É o mais usado, porque é fácil de ordenar, de ler por máquina e de expandir.

O sistema numérico hierárquico tem origem nas classificações decimais de bibliotecas: a Classificação Decimal de Dewey, criada pelo bibliotecário americano Melvil Dewey em 1876, e a Classificação Decimal Universal (CDU), que os belgas Paul Otlet e Henri La Fontaine desenvolveram a partir dela. A ideia é a mesma: cada grupo de dígitos desce um nível. Um código como 05.12.0345 pode significar grupo 05 (ferragens), classe 12 (parafusos) e item 0345 (aquele parafuso sextavado M10).

Do FSN ao NSN

Essa lógica foi levada ao extremo pelo governo dos Estados Unidos, que precisava catalogar milhões de itens das forças armadas. A partir de 1953 passou a usar o Federal Stock Number (FSN), de 11 dígitos: os 4 primeiros formavam a classe de suprimento da Federal Supply Classification (FSC) e os 7 seguintes identificavam o item. Em 1974 o FSN foi substituído pelo NSN (National Stock Number, que nos países da OTAN se lê NATO Stock Number), de 13 dígitos:

Estrutura do NSN: classe de suprimento, país que catalogou e número do item
Estrutura do NSN: classe de suprimento, país que catalogou e número do item
  • 4 dígitos de classe (FSC): os dois primeiros são o grupo e os quatro juntos a classe. Por exemplo, o grupo 53 reúne ferragens e a classe 5305, parafusos.
  • 2 dígitos do país que catalogou o item (o código do bureau nacional de catalogação): 00 e 01 para os Estados Unidos, 19 para o Brasil.
  • 7 dígitos do item, um número sequencial sem significado próprio.

Os 9 últimos dígitos (país + item) formam o NIIN, que sozinho já identifica o item; a classe na frente serve para agrupar. Um exemplo real de formato: 8415-00-082-5645 (classe 8415, catalogado pelos Estados Unidos). A conversão do FSN antigo para o NSN foi simples: bastou inserir "00" depois dos quatro primeiros dígitos.

O Sistema OTAN de Catalogação é usado desde o pós-guerra pelos Estados Unidos e depois pelos demais países da OTAN e por vários parceiros, entre eles o Brasil. Como os principais fabricantes dos equipamentos das Forças Armadas Brasileiras o adotam, o país o seguiu. A história, segundo o próprio Ministério da Defesa:

  • 1968: o Estado-Maior das Forças Armadas cria a Comissão Permanente de Catalogação de Material (CPCM);
  • 1982: é criado o Sistema Militar de Catalogação (SISMICAT);
  • 1986: é criado o Número de Estoque Brasileiro (NEB), com estrutura semelhante ao NSN;
  • 1998: o sistema é reorganizado para facilitar a troca de dados entre Marinha, Exército e Aeronáutica, e é criado o Centro de Catalogação das Forças Armadas (CECAFA);
  • 2017: o SISMICAT passa a se chamar Sistema de Catalogação de Defesa (SISCADE), e o centro, depois de se chamar Centro de Catalogação de Defesa, torna-se o Centro de Apoio a Sistemas Logísticos de Defesa (CASLODE).

O catálogo do governo federal: CATMAT

A mesma lógica aparece nas compras públicas civis. O governo federal mantém o CATMAT (catálogo de materiais) e o CATSER (catálogo de serviços), usados no sistema Compras.gov.br. Todo item comprado pela administração federal precisa ter um código nesses catálogos. A estrutura do CATMAT tem quatro níveis:

  • Grupo: 2 dígitos (por exemplo, 65, equipamentos e artigos de uso médico, odontológico e veterinário);
  • Classe: 4 dígitos, cujos dois primeiros são o grupo (6505, medicamentos; 6515, instrumentos e artigos médicos e cirúrgicos);
  • PDM (Padrão Descritivo de Material): o nome padronizado e a lista de características que descrevem um conjunto de itens, exatamente a ideia de nome básico, modificador e características que vimos acima;
  • Item: cada combinação de valores dessas características vira um item, com código próprio.

Repare que os números de grupo e classe são os mesmos da FSC americana: 65, 6505 e 6515 têm o mesmo significado lá e aqui.

Um NSN é escrito como 5305-19-XXX-XXXX. O que os dígitos 19 informam?

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Gabarito: Que o item foi catalogado pelo Brasil — no NSN, os dois dígitos depois da classe de quatro dígitos são o código do país que catalogou o item, e 19 é o código brasileiro. O grupo está nos dois primeiros dígitos (53, ferragens), e o número do item são os sete últimos.

Cadastramento e catalogação

Depois de codificado, o material é cadastrado: registrado com todas as suas características no sistema (hoje, o cadastro de materiais do ERP). O cadastro tem três operações básicas: inclusão de um item novo, alteração quando alguma característica muda e exclusão (ou inativação) quando o item deixa de ser usado.

A última fase é a catalogação: a consolidação de todos os dados num banco de dados de materiais que:

  • permite a todos os usuários consultar o material de que precisam e tirar dúvidas sobre suas características;
  • facilita as cotações e licitações, porque a especificação já está pronta;
  • evita a duplicidade de itens no catálogo;
  • permite conferir os dados cadastrais com os documentos dos materiais.

O catálogo só funciona se houver um responsável por ele. Se qualquer pessoa puder incluir itens livremente, as duplicidades voltam em poucos meses.

Ao revisar o cadastro, um almoxarife encontra os itens 'LÂMPADA LED 9W BRANCA' e 'LAMP. LED BULBO 9 W 6500K E27', com códigos e estoques diferentes, e descobre que são o mesmo produto. Qual fase do processo falhou?

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Gabarito: A identificação, que deveria ter dado uma descrição padronizada ao item — com nome básico, modificador e características sempre na mesma ordem, a segunda inclusão seria barrada como duplicada. O código diferente é consequência, não causa: cada descrição diferente ganhou um código.

Código de barras

A codificação ganhou um grande impulso com as tecnologias de captura automática de dados, que substituíram a digitação dos códigos. Digitar números longos o dia inteiro é lento e cheio de erros; ler um código com um leitor ótico leva uma fração de segundo.

Duas tecnologias foram estudadas para isso:

  • Código magnético: a informação fica gravada numa tarja de material magnetizável, como a dos antigos bilhetes de metrô e cartões de banco. Exige contato com o leitor e um material especial, mais caro. E, ao contrário do que se pensava, é fácil de copiar: foi justamente a clonagem das tarjas que levou os bancos a adotar o cartão com chip.
  • Código de barras: a informação é impressa oticamente, em barras e espaços de larguras diferentes, com tinta comum em qualquer embalagem. É barato e por isso venceu.

A patente do código de barras foi concedida nos Estados Unidos em 1952 por Norman Woodland e Bernard Silver, mas a tecnologia só pegou com os leitores a laser: a primeira leitura num caixa de supermercado, de um pacote de chicletes com código UPC, aconteceu em 1974. Hoje o código de barras está em embalagens industriais e comerciais, no despacho de cargas, no controle de almoxarifado e em qualquer loja.

O EAN-13 e o GTIN

O código mais comum no varejo brasileiro é o EAN-13, que carrega um GTIN-13 (Global Trade Item Number, número global do item comercial), administrado no mundo pela organização GS1 e, aqui, pela GS1 Brasil. Ele tem 13 dígitos:

Código EAN-13 com prefixo brasileiro e dígito verificador (número fictício)
Código EAN-13 com prefixo brasileiro e dígito verificador (número fictício)
  • prefixo GS1: 789 e 790 são os prefixos da GS1 Brasil. Atenção: eles indicam onde a empresa se registrou, não onde o produto foi fabricado; um importador brasileiro pode usar 789 num produto feito na China;
  • código da empresa e do produto: atribuídos pela GS1 à empresa, que numera os próprios produtos;
  • dígito verificador: o último, calculado a partir dos outros doze. Ele serve para o leitor (ou o sistema) recusar um código lido ou digitado errado.

O GTIN também vai para a nota fiscal eletrônica, o que liga o item da prateleira ao item do documento fiscal.

Como se calcula o dígito verificador

  1. Some os dígitos das posições ímpares (1ª, 3ª, 5ª...) dos doze primeiros.
  2. Some os dígitos das posições pares e multiplique por 3.
  3. Some os dois resultados.
  4. O dígito verificador é o que falta para chegar ao próximo múltiplo de 10 (se a soma já for múltiplo de 10, é 0).

Exemplo com 789123456789:

  • posições ímpares: 7 + 9 + 2 + 4 + 6 + 8 = 36;
  • posições pares: (8 + 1 + 3 + 5 + 7 + 9) × 3 = 33 × 3 = 99;
  • soma: 36 + 99 = 135;
  • próximo múltiplo de 10: 140, então o dígito é 140 − 135 = 5. O código completo é 7891234567895.

Qual é o dígito verificador do código EAN-13 que começa com 789100031550?

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Gabarito: 7 — posições ímpares: 7 + 9 + 0 + 0 + 1 + 5 = 22; posições pares: (8 + 1 + 0 + 3 + 5 + 0) × 3 = 51; soma 73; o próximo múltiplo de 10 é 80, logo 80 − 73 = 7. A resposta 3 é o último dígito da soma, e não o que falta para chegar a 80.

Outros códigos

  • GS1-128: código linear longo usado em caixas e paletes, que além do produto carrega lote, validade, peso e outras informações logísticas.
  • DataMatrix: código bidimensional pequeno, muito usado em medicamentos e peças industriais.
  • QR Code: bidimensional, lido por qualquer celular, carrega bem mais informação que o EAN.

O varejo mundial está em transição para os códigos bidimensionais: a iniciativa Sunrise 2027, da GS1, prevê que até o fim de 2027 os caixas estejam prontos para ler também códigos 2D com o GTIN, como o QR Code no padrão GS1 Digital Link, que pode levar o consumidor a informações do produto. O EAN-13 não será abolido de uma vez: os dois devem conviver por bastante tempo.

Identificação por radiofrequência (RFID)

A tecnologia não parou no código de barras. Na identificação por radiofrequência (RFID), a informação fica num chip ligado a uma pequena antena, a etiqueta (tag), e é lida por ondas de rádio, sem contato e sem necessidade de enxergar a etiqueta.

A ideia não é nova: suas raízes estão nos sistemas de identificação de aviões amigos e inimigos da Segunda Guerra Mundial, e as primeiras patentes de etiquetas RFID são dos anos 1970. O que a tornou útil para a logística foi o trabalho do Auto-ID Center, criado em 1999 no Massachusetts Institute of Technology (MIT), que propôs o EPC (Electronic Product Code), um número único para cada unidade de produto gravado na etiqueta. Esse padrão é hoje mantido pela GS1, a mesma organização do código de barras.

Como funciona

Um sistema RFID tem três partes: a etiqueta, o leitor (com sua antena) e o software que recebe os dados. As etiquetas podem ser:

  • passivas: sem bateria, usam a energia da onda do leitor para responder. São baratas e as mais usadas em logística e varejo;
  • ativas: têm bateria própria, alcance de dezenas de metros, e custam mais. Servem para rastrear contêineres, veículos e ativos caros.

Elas variam muito em tamanho, capacidade de dados, vida útil e resistência: há etiquetas encapsuladas para ambientes químicos agressivos, etiquetas costuradas em roupas e dispositivos fixados no animal, na pecuária. O NFC do celular, usado no pagamento por aproximação, é uma forma de RFID de curtíssimo alcance, e as tags de pedágio automático dos carros também são RFID.

Código de barras ou RFID?

Código de barrasRFID
Leiturauma por vez, precisa enxergar o códigomuitas ao mesmo tempo, sem precisar enxergar
Identificaem geral o tipo de produto (todos os iguais têm o mesmo GTIN)pode identificar cada unidade (EPC)
Custo por etiquetapraticamente zero (impressão)centavos para as passivas; bem mais para as ativas
Dadosfixos, impressospodem ser regravados, nas etiquetas que permitem
Limitaçõessujeira, rasgo, ângulo de leiturametal e líquidos atrapalham a leitura; custo dos leitores

A grande vantagem do RFID é o rastreamento de cada unidade ao longo da cadeia de suprimentos e a leitura em massa: um portal de leitura na doca registra um palete inteiro de caixas sem que ninguém abra nada, e um inventário que levaria um dia com leitor de código de barras pode levar minutos. Por isso ele se espalhou primeiro nos itens de valor maior ou nas cadeias em que a contagem manual é cara, como lojas de roupas e centros de distribuição.

Um exemplo brasileiro atual é a pecuária. O Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), com cronograma fixado pela Portaria SDA/MAPA nº 1.331, de julho de 2025, prevê a identificação individual de todo o rebanho de forma gradual até o fim de 2032; a partir de 1º de janeiro de 2033, fica proibido movimentar bovinos e búfalos que não estejam identificados e registrados no sistema oficial. Brincos com chip RFID estão entre as tecnologias usadas para isso, porque permitem ler o animal sem contê-lo.

Um centro de distribuição de roupas quer fazer o inventário de 200 mil peças em poucas horas, sem abrir as caixas, e saber exatamente qual peça saiu em cada pedido. Qual tecnologia atende melhor?

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Gabarito: Etiquetas RFID passivas com EPC, lidas em massa — o RFID lê muitas etiquetas ao mesmo tempo sem precisar enxergá-las, e o EPC identifica cada unidade, não só o tipo de produto. O EAN-13 é mais barato, mas exige ler peça a peça e todas as camisetas iguais têm o mesmo código. A classificação ABC ajuda a decidir o que contar com mais frequência, mas não é uma tecnologia de leitura.

Exercícios

Fáceis

1) Qual a diferença entre classificar, identificar, codificar, cadastrar e catalogar um material?

2) Escreva a descrição padronizada (nome básico, modificador, características, aplicação, embalagem e referência) de três materiais que você tem em casa.

3) Explique a estrutura do NSN e o que significa o código 19 dentro dele.

4) Pegue três produtos do seu armário, confira o dígito verificador do código de barras de cada um e verifique se o prefixo indica onde o produto foi fabricado.

5) Cite duas vantagens e duas limitações do RFID em relação ao código de barras.

6) Calcule o dígito verificador do EAN-13 cujos doze primeiros dígitos são 789456123001.

Difíceis

7) O código verdadeiro de um produto é 7891000315507. No caixa, três operadores digitaram errado:
a) 7891000315504;
b) 7891000351507;
c) 7891000315057.
Para cada código digitado, calcule o dígito verificador que os doze primeiros dígitos exigiriam e diga se o sistema recusaria o código. Algum erro passou? Explique por quê.

8) Um item militar tem o NSN 5305-19-123-4567 (número ilustrativo).
a) Qual é o grupo, a classe, o país que catalogou e o NIIN?
b) Um manual antigo traz o FSN 5305-123-4567 para um item catalogado pelos Estados Unidos. Como fica o NSN dele?
c) No CATMAT, um item da classe 6505 pertence a que grupo, e o que esse grupo reúne?

9) Uma empresa vai criar um código numérico hierárquico (grupo, classe, item) para os seus materiais. Hoje ela tem 8 grupos, no máximo 60 classes num mesmo grupo e no máximo 3.500 itens numa mesma classe, e quer que cada nível tenha um número fixo de dígitos.
a) Quantos dígitos são necessários em cada nível, no mínimo, e quantos no total?
b) Quantos itens esse código comporta no total?
c) Compare com um código alfabético mnemônico de 3 letras: quantas combinações ele tem?
d) Que folga você daria ao grupo, sabendo que a empresa pretende crescer?

10) O cadastro de uma empresa tem estas três descrições, cada uma com código e estoque próprios: 'TINTA ACRIL. BRANCA 18L', 'TINTA ACRÍLICA FOSCA BRANCO NEVE GALÃO 18 LITROS SUVINIL' e 'LÁTEX BRANCO 18 L P/ PAREDE'. Descobriu-se que são o mesmo produto, a referência 50123 do fabricante, usado na pintura de paredes internas.
a) Escreva a descrição padronizada única, na ordem da aula.
b) Que três consequências práticas o cadastro triplicado provoca?
c) Que regra de gestão do catálogo evita que o problema volte?

11) Uma loja de roupas faz 12 inventários completos por ano de 200.000 peças. Com leitor de código de barras, cada peça leva 2 segundos. Com RFID, um portal lê uma caixa de 50 peças em 3 segundos. A hora de trabalho custa R$ 30, e cada etiqueta RFID passiva custa R$ 0,15. O estoque gira 4 vezes por ano, e toda peça que entra precisa de etiqueta nova.
a) Quantas horas de trabalho cada tecnologia gasta por inventário?
b) Qual é o custo anual de mão de obra dos inventários em cada caso?
c) Quantas etiquetas e quanto em etiquetas a loja gasta por ano com RFID?
d) Só pela economia nos inventários, o RFID se paga? Que outros ganhos poderiam justificar a troca?

Gabarito

1) Classificar é agrupar os materiais por critérios (tipo, valor, criticidade, periculosidade). Identificar é registrar os dados que individualizam o item numa descrição padronizada. Codificar é dar ao item um símbolo único. Cadastrar é registrar o item, com todas as características, no sistema (inclusão, alteração, exclusão). Catalogar é consolidar tudo num banco de dados de materiais consultável por todos.

2) Resposta pessoal. Modelo: SABÃO EM PÓ; para roupas; uso em máquina de lavar; caixa de 1,6 kg; ref. do fabricante. O que se corrige é a ordem: nome básico, modificador, características, aplicação, embalagem e referência.

3) São 13 dígitos: 4 da classe de suprimento (os 2 primeiros são o grupo), 2 do país que catalogou o item e 7 do número do item. Os 9 últimos formam o NIIN. O 19 é o código do Brasil: indica que o item foi catalogado pelo Brasil.

4) Resposta pessoal, com a conta da aula (ímpares + 3 × pares, e o que falta para o próximo múltiplo de 10). Sobre o prefixo: 789 e 790 indicam que a empresa se registrou na GS1 Brasil, não que o produto foi fabricado no Brasil.

5) Vantagens: lê muitas etiquetas ao mesmo tempo, sem precisar enxergá-las; pode identificar cada unidade (EPC); pode ter dados regravados. Limitações: etiqueta e leitores custam mais; metal e líquidos atrapalham a leitura.

6) Ímpares: 7 + 9 + 5 + 1 + 3 + 0 = 25. Pares: (8 + 4 + 6 + 2 + 0 + 1) × 3 = 21 × 3 = 63. Soma: 25 + 63 = 88. Próximo múltiplo de 10: 90. Dígito: 90 − 88 = 2. Código completo: 7894561230012.

7) a) Os doze primeiros são os do código verdadeiro, que exigem dígito 7 (ímpares 7 + 9 + 0 + 0 + 1 + 5 = 22; pares (8 + 1 + 0 + 3 + 5 + 0) × 3 = 51; soma 73; 80 − 73 = 7). Digitou 4: recusado.
b) 789100035150: ímpares 7 + 9 + 0 + 0 + 5 + 5 = 26; pares (8 + 1 + 0 + 3 + 1 + 0) × 3 = 39; soma 65; dígito exigido 5. Digitou 7: recusado. Foi a troca do 1 com o 5.
c) 789100031505: ímpares 7 + 9 + 0 + 0 + 1 + 0 = 17; pares (8 + 1 + 0 + 3 + 5 + 5) × 3 = 66; soma 83; dígito exigido 7. Digitou 7: aceito, embora errado (o 5 e o 0 foram trocados). Ao trocar dois dígitos vizinhos a e b, um passa de peso 1 para peso 3 e o outro de 3 para 1, e a soma muda em 2 × (a − b). Com a − b = 5, a mudança é 10, múltiplo de 10, e o dígito verificador não percebe. O EAN pega todo erro de um dígito só e quase todas as trocas de vizinhos, menos as de dígitos que diferem em 5.

8) a) Grupo 53 (ferragens), classe 5305 (parafusos), país 19 (Brasil), NIIN 19-123-4567 (os 9 últimos dígitos).
b) Insere-se 00 depois da classe: 5305-00-123-4567.
c) Grupo 65 (os dois primeiros dígitos da classe), que reúne equipamentos e artigos de uso médico, odontológico e veterinário; 6505 são os medicamentos.

9) a) Grupo: 8 cabe em 1 dígito (até 10). Classe: 60 exige 2 dígitos (até 100). Item: 3.500 exige 4 dígitos (até 10.000). Total: 1 + 2 + 4 = 7 dígitos.
b) 10 × 100 × 10.000 = 10.000.000 de combinações.
c) 26 × 26 × 26 = 17.576 combinações, bem menos, e é por isso que o alfabético caiu em desuso.
d) Com 8 grupos ocupados de 10 possíveis, sobram só 2. Usar 2 dígitos no grupo (até 100 grupos) leva o código a 8 dígitos, mas evita refazer a codificação quando a empresa crescer.

10) a) TINTA ACRÍLICA; fosca; cor branco neve; para pintura de paredes internas; galão de 18 litros; ref. fabricante 50123 (nome básico, modificador, características, aplicação, embalagem e referência).
b) A empresa compra o que já tem (o saldo está dividido em três códigos), deixa faltar quando um dos códigos zera embora os outros tenham saldo, e não consegue somar quanto consome e gasta com o item (o que distorce a classificação ABC e a previsão de demanda).
c) Um responsável pelo catálogo: ninguém inclui item sem passar por ele, que confere se a descrição padronizada já existe.

11) a) Código de barras: 200.000 × 2 = 400.000 segundos ÷ 3.600 = 111,1 horas. RFID: 200.000 ÷ 50 = 4.000 caixas × 3 = 12.000 segundos ÷ 3.600 = 3,33 horas.
b) Código de barras: 111,1 × 12 × 30 = R$ 40.000 por ano. RFID: 3,33 × 12 × 30 = R$ 1.200 por ano. Economia: R$ 38.800.
c) Entram 200.000 × 4 = 800.000 peças por ano, cada uma com etiqueta: 800.000 × 0,15 = R$ 120.000 por ano.
d) Não: a economia de R$ 38.800 não cobre os R$ 120.000 de etiquetas, e ainda faltam os leitores. O RFID se justificaria por outros ganhos: menos ruptura (o saldo fica certo e a loja vende o que tem), conferência de recebimento e expedição sem abrir caixas, rastreamento de cada peça, menos furto. Ou por etiqueta mais barata.

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