Opções e swaps: direito sem obrigação, estratégias de proteção e troca de indexadores

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Hoje conhecemos o derivativo que entrega um direito sem obrigação — as opções — e fechamos com os swaps, a ferramenta que as empresas brasileiras mais usam para trocar o indexador de uma dívida.

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Esta é a última aula do curso. E, como na aula de precificação de futuros e hedgelink outside website, ela foi desenhada como um reencontro: o valor presente, a arbitragem, o beta e a curva de juros voltam para explicar quanto vale um direito e por que trocar CDI por taxa prefixada pode ser a decisão mais prudente de uma diretoria financeira.

1. Você já comprou uma opção — e talvez nem saiba

Pense no seguro do seu carro. Você paga um prêmio à seguradora, que não o devolve. Em troca, ganha um direito: ser indenizado se houver sinistro. E se o ano passar sem batida? O seguro vence sem uso, e você perdeu apenas o prêmio.

Uma opção de venda de ações funciona exatamente assim. Você paga o prêmio a quem vendeu a opção e ganha o direito de vender a ação por um preço fixado. Se a ação não cair, a opção, como diz o Assaf Neto, "vira pó" — e você perdeu só o prêmio.

É isso que separa a opção do futuro: no futuro, os dois lados têm obrigação; na opção, um lado tem o direito, o outro tem a obrigação — e o prêmio paga essa assimetria.

2. O vocabulário: call, put, titular e lançador

2.1 Os quatro papéis

Existem dois tipos de opção e dois lados em cada uma — quatro combinações:

Call (opção de compra) — o titular, que compra a opção e paga o prêmio, tem o DIREITO de comprar o ativo pelo preço de exercício. Ganha com a alta. O lançador, que vende a opção e recebe o prêmio, tem a OBRIGAÇÃO de vender pelo preço de exercício, se o titular exercer. Ganha se o ativo não subir.

Put (opção de venda) — o titular tem o DIREITO de vender o ativo pelo preço de exercício. Ganha com a queda. O lançador tem a OBRIGAÇÃO de comprar pelo preço de exercício, se o titular exercer. Ganha se o ativo não cair.

Completam o vocabulário: o prêmio é o preço da opção; o preço de exercício (strike) é o preço combinado para comprar ou vender; o vencimento é a data-limite do direito; e o ativo-objeto é o que se negocia — ações, índices, dólar, juros.

Regra de bolso que resolve metade das questões de prova: quem PAGA o prêmio tem o DIREITO; quem RECEBE o prêmio tem a OBRIGAÇÃO.

2.2 Europeia × americana

A opção europeia só pode ser exercida na data de vencimento. A americana pode ser exercida a qualquer momento até o vencimento. Repare: o nome não tem nada a ver com o país onde a opção é negociada.

2.3 Como ler o código de uma opção na B3

O código tem três partes: o ativo-objeto, uma letra e um número. A letra indica o tipo e o mês de vencimento: de A a L são calls (janeiro a dezembro); de M a X são puts (janeiro a dezembro). O número identifica a série, associada ao preço de exercício. O lote-padrão é de 100 ações.

Usando um ticker fictício: XPTOC32 é uma call de março (C é a terceira letra entre A e L); XPTOO32 é uma put de março (O é a terceira letra entre M e X).

2.4 Quem deposita garantia

O titular não deposita margem: o pior que pode lhe acontecer é perder o prêmio, que já pagou. Quem deposita garantia é o lançador, porque carrega a obrigação. Alternativamente, ele pode deixar as próprias ações em custódia — é o chamado lançador coberto.

Na B3, o código XPTOO32 identifica uma opção de...

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Gabarito: Venda (put) com vencimento em março — as letras de M a X são puts; M é janeiro, N fevereiro e O março. Quem marca "outubro" está contando o O como a 15ª letra do alfabeto, sem descontar as 12 letras das calls.

Numa operação com opções, quem deve depositar margem de garantia na bolsa?

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Gabarito: O lançador — ele recebeu o prêmio e assumiu a obrigação de comprar ou vender se for exercido. O risco do titular está limitado ao prêmio, que ele já pagou.

3. Payoff e lucro: os quatro gráficos que caem em toda prova

Vamos usar um único exemplo na aula inteira: a ação XPTO está a R$ 30. Há uma call de strike R$ 30 com prêmio de R$ 2,00 e uma put de strike R$ 30 com prêmio de R$ 0,97 (daqui a pouco você vai descobrir de onde saiu esse número). Todos os resultados são por ação, no vencimento.

3.1 Call comprada × call vendida

Se a ação terminar abaixo de R$ 30, o titular não exerce — ninguém compra a 30 o que vale menos no mercado — e perde só o prêmio: −R$ 2,00. Acima de R$ 30, exerce e ganha R$ 1 para cada R$ 1 de alta.

Lucro do titular da call = máx(S − K; 0) − prêmio

Com a ação a R$ 38: (38 − 30) − 2 = R$ 6,00 por ação. O ponto de equilíbrio é strike + prêmio = 30 + 2 = R$ 32. O exemplo do Assaf Neto é o mesmo raciocínio: call de strike $ 33,60 com prêmio de $ 2,10 só compensa o exercício com lucro acima de $ 35,70.

Resumo do titular da call: perda máxima = o prêmio; ganho = ilimitado. O lançador é o espelho: ganho máximo = o prêmio; perda = ilimitada se a ação disparar. É por isso que ele deposita garantia.

3.2 Put comprada × put vendida

O titular da put só exerce se a ação cair abaixo de R$ 30: vende a 30 o que vale menos no mercado.

Lucro do titular da put = máx(K − S; 0) − prêmio

Com a ação a R$ 22: (30 − 22) − 0,97 = R$ 7,03 por ação. O ponto de equilíbrio é strike − prêmio = 30 − 0,97 = R$ 29,03. O ganho máximo é limitado (R$ 29,03, se a ação for a zero), porque o preço não cai abaixo de zero. Acima de R$ 30, a put vira pó: perda de R$ 0,97.

O lançador da put embolsa o prêmio se a ação não cair — e é obrigado a comprar a R$ 30 na queda.

Atalho para prova: call comprada e put vendida ganham com a ALTA; put comprada e call vendida ganham com a QUEDA. E o titular sempre tem a perda limitada ao prêmio.

Um investidor comprou 100 calls de XPTO com strike de R$ 30 e prêmio de R$ 2,00. No vencimento, a ação está a R$ 35. Qual é o lucro da operação?

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Gabarito: R$ 300 — ele exerce: compra a 30 o que vale 35, ganha R$ 5 por ação, menos R$ 2 de prêmio = R$ 3 por ação, vezes 100 ações. Os R$ 500 esquecem o prêmio pago.

Um investidor comprou 100 puts de XPTO com strike de R$ 30 e prêmio de R$ 0,97. No vencimento, a ação está a R$ 31. Qual é o resultado?

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Gabarito: Prejuízo de R$ 97 — com a ação acima do strike, ninguém vende a 30 o que vale 31: a put vira pó e o titular perde só o prêmio (0,97 × 100).

4. Quanto vale um prêmio

4.1 Valor intrínseco + valor extrínseco

Todo prêmio tem duas partes:

Valor intrínseco — quanto a opção valeria se fosse exercida AGORA. Para a call: máx(S − K; 0). Para a put: máx(K − S; 0).

Valor extrínseco (ou valor tempo) — todo o resto. É o preço da POSSIBILIDADE de a opção melhorar até o vencimento.

Três calls de strike R$ 30, a três meses do vencimento (prêmios ilustrativos):

Ação a R$ 27 — fora do dinheiro: intrínseco zero, prêmio de R$ 0,60, tudo valor tempo. É pura esperança.

Ação a R$ 30 — no dinheiro: intrínseco zero, prêmio de R$ 2,00, tudo valor tempo — e o maior dos três, porque é onde a incerteza pesa mais.

Ação a R$ 33 — dentro do dinheiro: R$ 3,00 de intrínseco + R$ 1,20 de tempo = prêmio de R$ 4,20.

Para a put, inverte: ela está dentro do dinheiro quando a ação está ABAIXO do strike. E, no vencimento, o valor tempo zera — sobra só o intrínseco.

4.2 O que mexe no prêmio

O Assaf Neto lista cinco fatores. Sem fórmula pesada, o que a prova cobra é a direção de cada um:

Preço do ativo sobe — call sobe; put cai.

Strike mais alto — call cai (o direito de comprar caro vale menos); put sobe (o direito de vender caro vale mais).

Mais prazo — em geral, as duas sobem: mais tempo para dar certo. Para as americanas, sempre.

Volatilidade sobe — as duas sobem. O titular ganha com a oscilação a favor e, contra, perde no máximo o prêmio.

Juros sobem — call sobe; put cai. O strike é pago lá na frente, e o valor presente dele fica menor.

Quem quiser a fórmula completa encontra os modelos binomial e de Black & Scholes citados no Assaf Neto e detalhados no Hull (Opções, futuros e outros derivativos).

A volatilidade esperada de uma ação aumenta muito, tudo o mais constante. O que acontece com os prêmios das calls e das puts dessa ação?

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Gabarito: Os dois sobem — volatilidade não é direção, é tamanho do movimento. Mais oscilação aumenta o ganho possível do titular nos dois sentidos, e a perda dele continua limitada ao prêmio; por isso o lançador cobra mais caro pelas duas.

4.3 A paridade put-call

Call e put europeias de mesmo strike e mesmo vencimento estão amarradas por uma relação de arbitragem:

C + VP(K) = P + S

À esquerda, uma call mais uma aplicação de renda fixa que paga K no vencimento. À direita, a ação mais uma put — a ação com seguro. No vencimento, as duas carteiras valem o maior entre S e K, em qualquer cenário. Se valem o mesmo lá na frente, têm que custar o mesmo hoje: é a lógica das "duas rotas" da aula de futuros.

A conta do nosso exemplo: S = K = R$ 30, juros de 15% ao ano, 63 dias úteis (três meses), call a R$ 2,00.

VP(K) = 30 / (1,15)^(63/252) = 30 / 1,15^0,25 = R$ 28,97

P = C + VP(K) − S = 2,00 + 28,97 − 30 = R$ 0,97

É daí que saiu o prêmio da put. Se o mercado cobrar diferente, o arbitrador compra o lado barato, vende o caro e embolsa a diferença — de novo ele.

“Opção de compra deve ser realizada na expectativa de alta de preços; ao se esperar uma queda, é recomendada a opção de venda.”

- Assaf Neto, Mercado Financeiro (adaptado)

5. Estratégias: desenhando o risco com opções

Combinando opções com ações — e opções com outras opções —, o investidor escolhe o formato do risco que quer carregar.

5.1 Put de proteção: o seguro da carteira

Você tem a ação, comprada a R$ 30, e compra uma put de strike R$ 30 por R$ 0,97. Abaixo de R$ 30, cada centavo que a ação perde a put ganha: o prejuízo para em R$ 0,97 — é o piso. Na alta, você continua ganhando com a ação, só que R$ 0,97 abaixo: é o custo do seguro.

Compare com o hedge com futuros: o futuro trava o preço e abre mão da alta; a put protege contra a queda e MANTÉM a alta — mas cobra prêmio.

5.2 Venda coberta: renda agora, com teto

Você tem a ação a R$ 30 e LANÇA uma call de strike R$ 32, recebendo R$ 1,20. O ganho máximo vira (32 − 30) + 1,20 = R$ 3,20 — acima de R$ 32 você é exercido e entrega a ação. A proteção é pequena: o prêmio só amortece a queda até R$ 28,80 (30 − 1,20). Você troca a alta acima de R$ 32 por renda imediata.

5.3 Trava de alta: a aposta na alta mais barata

Você COMPRA a call de strike R$ 30 por R$ 2,00 e VENDE a call de strike R$ 34 por R$ 0,60. Custo líquido: R$ 1,40. Ganho máximo: distância entre os strikes menos o custo = 4 − 1,40 = R$ 2,60. Perda máxima: os R$ 1,40 pagos. É uma aposta na alta com custo menor — e com teto.

5.4 Straddle: a aposta na volatilidade

Você COMPRA a call 30 e a put 30, pagando 2,00 + 0,97 = R$ 2,97. Ganha se a ação andar MUITO, para qualquer lado: abaixo de R$ 27,03 ou acima de R$ 32,97. O pior cenário é a ação parada no strike. É uma aposta em volatilidade, não em direção — típica antes de um resultado trimestral ou de uma eleição.

Um investidor compra a call de strike R$ 30 por R$ 2,00 e vende a call de strike R$ 34 por R$ 0,60. Se a ação vencer a R$ 40, qual é o lucro por ação?

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Gabarito: R$ 2,60 — a call 30 comprada vale 10; a call 34 vendida custa 6; o líquido é 4 (a distância entre os strikes), menos o custo de 1,40. Acima de 34, uma call compensa a outra: o lucro não passa disso. Os R$ 8,00 são o resultado de quem esquece a call vendida.

6. Swaps: trocando indexadores sem trocar o principal

6.1 O que é um swap

Swap, em inglês, é troca. Duas partes trocam a rentabilidade de dois indexadores — DI por pré, DI por dólar, IPCA por DI — sobre um mesmo valor de referência, o nocional. Cada parte tem uma ponta ativa (o indexador que recebe) e uma ponta passiva (o que paga).

O principal NÃO é trocado: no vencimento, calcula-se quanto cada ponta rendeu e só a diferença muda de mãos. É um contrato de balcão, sob medida, registrado na B3 — da mesma família do contrato a termo.

6.2 Swap DI × pré: a dívida em DI que vira prefixada

Caso adaptado do Assaf Neto: uma empresa tem uma dívida de R$ 6 milhões indexada ao DI, vencendo em 81 dias úteis. Os ativos dela, porém, rendem taxa prefixada. Se o CDI subir, a dívida cresce e os ativos não acompanham.

Solução: um swap em que a empresa RECEBE DI e PAGA pré a 16,5% ao ano, sobre os mesmos R$ 6 milhões.

Ponta pré: 6.000.000 × (1,165)^(81/252) = R$ 6.301.882

Cenário 1 — CDI acumulado de 18% ao ano: a dívida vai a 6.000.000 × (1,18)^(81/252) = R$ 6.327.850. A empresa RECEBE no swap a diferença: R$ 25.968. Custo final: 6.327.850 − 25.968 = R$ 6.301.882.

Cenário 2 — CDI acumulado de 15% ao ano: a dívida fica em 6.000.000 × (1,15)^(81/252) = R$ 6.275.687. Mas a empresa PAGA no swap R$ 26.196. Custo final: 6.275.687 + 26.196 ≈ R$ 6.301.882 (o R$ 1 de diferença é só arredondamento).

Nos dois cenários, o mesmo custo: a dívida em DI virou, na prática, uma dívida a 16,5% pré. É um hedge — a empresa abre mão de ganhar com a queda do CDI para não perder com a alta.

6.3 Swap DI × dólar: a dívida em dólar que vira CDI

Agora o uso mais clássico. A empresa deve US$ 1 milhão a 4% ao ano, por um ano, e tem receita em reais. O dólar está a R$ 5,20; o CDI, a 15% ao ano.

Sem proteção, o custo em reais depende do câmbio: com o dólar a R$ 5,00, ela paga 1,04 × 5,00 = R$ 5,20 milhões; com o dólar a R$ 6,00, paga R$ 6,24 milhões.

Ela contrata um swap com nocional de R$ 5,2 milhões (US$ 1 milhão a R$ 5,20): RECEBE a variação do dólar + 4% ao ano — exatamente o que a dívida custa — e PAGA 100% do CDI.

Dólar a R$ 6,00: a ponta em dólar vale 5,2 mi × (6,00/5,20) × 1,04 = R$ 6,24 milhões; a ponta CDI, 5,2 mi × 1,15 = R$ 5,98 milhões. Ela recebe R$ 260 mil, que cobrem a alta da dívida. Custo final: R$ 5,98 milhões.

Dólar a R$ 5,00: a ponta em dólar vale R$ 5,20 milhões; ela paga R$ 780 mil no swap. Custo final: R$ 5,98 milhões de novo.

A dívida em dólar virou uma dívida em CDI. E repare em qual câmbio as duas situações empatam: 5,98 / 1,04 = R$ 5,75 — exatamente o dólar futuro de um ano que calculamos pela paridade de juros na aula de futuros. Tudo se conecta.

Quando o Banco Central oferece swap cambial ao mercado, ele faz o papel desse banco: paga a variação cambial e recebe juros, oferecendo proteção contra a alta do dólar sem gastar reservas. Na operação inversa — o BC paga juros e recebe a variação cambial —, o nome é swap cambial reverso.

Uma empresa tem dívida em dólar e receita em reais. Para eliminar o risco cambial com um swap DI × dólar, ela deve...

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Gabarito: Receber a variação do dólar e pagar DI — a ponta ativa em dólar cresce junto com a dívida e a compensa; sobra pagar CDI, que casa com a receita em reais. É a regra de ouro do hedge: a posição de proteção é a contrária à exposição natural.

7. Pegadinhas de concurso

"O lançador de uma opção de compra adquire o direito de vender o ativo pelo preço de exercício." ERRADO. O lançador recebeu o prêmio: tem a OBRIGAÇÃO de vender, se o titular exercer. Direito é de quem pagou o prêmio — a banca troca "direito" por "obrigação" o tempo todo.

"O comprador de uma opção de venda aposta na alta do ativo-objeto." ERRADO. O titular da put ganha com a QUEDA: vende pelo strike o que vale menos no mercado. Atalho: titular de call e lançador de put gostam da alta; titular de put e lançador de call gostam da queda.

"Opção americana é a negociada nos Estados Unidos." ERRADO. Americana é a que pode ser exercida a qualquer momento até o vencimento; europeia, só no vencimento — em qualquer bolsa do mundo.

"No swap, as partes trocam os valores principais no início e no fim do contrato." ERRADO. O nocional é só a base de cálculo: no vencimento, apenas a diferença entre as pontas muda de mãos.

8. Amarrando tudo — e fechando o curso

O essencial da aula:

Opção: o titular paga o prêmio e tem o DIREITO; o lançador recebe o prêmio, tem a OBRIGAÇÃO e deposita garantia.

Payoff: a call comprada ganha na alta (equilíbrio = strike + prêmio); a put comprada ganha na queda (equilíbrio = strike − prêmio).

Prêmio = valor intrínseco + valor tempo; volatilidade e prazo aumentam os dois prêmios; a paridade C + VP(K) = P + S amarra call e put.

Estratégias: put de proteção (piso) · venda coberta (renda, com teto) · trava de alta (alta barata, com teto) · straddle (volatilidade).

Swap: troca de indexadores sobre um nocional, só a diferença muda de mãos — dívida em DI vira pré, dívida em dólar vira CDI.

E aqui se fecha o círculo do curso inteiro. Partimos do mapa do sistema financeirolink outside website, aprendemos a linguagem da Selic, do CDI e da curva de juroslink outside website, precificamos títulos e domamos seus riscos — do Tesouro Prefixadolink outside website à duration e convexidadelink outside website —, avaliamos empresas e o preço do risco — do modelo de Gordonlink outside website ao CAPMlink outside website — e terminamos operando o tempo e a incerteza com derivativos: futuroslink outside website, hedgelink outside website, opções e swaps.

Se há uma ideia que costura tudo, é esta: todo ativo financeiro é um fluxo de caixa futuro visto através de uma taxa. Até a opção de hoje: o prêmio é o valor presente de um fluxo incerto. A diferença entre os instrumentos está em quem promete o fluxo, com que certeza e a que preço se compra o risco.

“Não existe almoço grátis: no mercado financeiro, todo retorno esperado acima da taxa livre de risco cobra seu preço em risco.”

- Máxima do mercado, inspirada em Milton Friedman — a frase da primeira aula, agora com o curso inteiro de prova

Para ir além: Hull, Opções, futuros e outros derivativos — modelo binomial, Black & Scholes e as "gregas". Boa prova, bom trabalho — e bons investimentos!

Exercício para discutir em sala

O seguro do Dr. Paulo. Vamos pensar juntos — é o último caso do curso.

O Dr. Paulo tem 1.000 ações da XPTO, compradas a R$ 30 (R$ 30 mil). Ele teme o resultado do trimestre, daqui a três meses, mas não quer vender: acredita na empresa no longo prazo e não quer pagar imposto agora. Um tombo de 20% o tiraria do sério. No mercado, há uma put de strike R$ 30 a R$ 0,97 e uma call de strike R$ 32 a R$ 1,20, ambas com vencimento em três meses.

Discuta com seu grupo: (a) quanto custa e qual é o piso da put de proteção? (b) a venda coberta da call 32 protege contra o tombo de 20%? Do que ele abre mão? (c) e as duas juntas — comprar a put e lançar a call (o chamado collar)? É um seguro grátis? (d) por que vender futuro de índice, como na aula de hedge, pode não resolver o problema dele?

Direcionamento para o professor: (a) Compra 1.000 puts e paga R$ 970. A perda máxima fica em R$ 970 — o equivalente a vender a R$ 29,03 — e ele mantém toda a alta, menos o prêmio. (b) Lança 1.000 calls 32 e recebe R$ 1.200, mas a proteção vai só até R$ 28,80: com o tombo de 20%, a ação vai a R$ 24 e ele perde (24 − 30 + 1,20) × 1.000 = R$ 4.800. Em troca, abre mão de tudo acima de R$ 32 (ganho máximo de R$ 3.200) e ainda pode ser exercido e ter de entregar as ações — justamente o que não queria. (c) No collar, recebe 1,20 e paga 0,97: sobra R$ 0,23 por ação (R$ 230). Abaixo de R$ 30, a put garante o resultado mínimo de +R$ 230; acima de R$ 32, a call limita o ganho a R$ 2.230. Parece seguro grátis — mas R$ 30 mil no CDI a 15% ao ano renderiam cerca de R$ 1.067 no trimestre. O collar garante bem menos que isso no pior caso e ainda corta a alta: não existe almoço grátis, a proteção custa o potencial de alta. (d) Futuro de índice protege o risco SISTEMÁTICO, não o específico da XPTO; se o medo é o balanço da própria empresa, o índice não resolve. A put sobre a própria ação protege o risco específico, mas cobra prêmio.

Exercícios

1) (Inédita - estilo CESGRANRIO) Um investidor adquiriu uma opção de compra de ações com preço de exercício de R$ 40,00, pagando prêmio de R$ 3,00 por ação. Na data de vencimento, a ação está cotada a R$ 47,00. Desconsiderando custos operacionais, o resultado do investidor por ação é:

A) prejuízo de R$ 3,00.

B) lucro de R$ 7,00.

C) lucro de R$ 4,00.

D) lucro de R$ 10,00.

E) lucro de R$ 3,00.

2) (Inédita - estilo CESGRANRIO) O titular de uma opção de venda com preço de exercício de R$ 25,00, adquirida por um prêmio de R$ 1,50, só passa a ter lucro na operação se, no vencimento, o preço à vista da ação for inferior a:

A) R$ 26,50.

B) R$ 25,00.

C) R$ 1,50.

D) R$ 23,50.

E) R$ 22,00.

3) (Inédita - estilo FGV) Uma ação é negociada a R$ 48,00. Uma opção de compra europeia sobre essa ação, com preço de exercício de R$ 50,00, vale R$ 3,00, e o valor presente do preço de exercício, descontado pela taxa livre de risco até o vencimento, é de R$ 46,00. Pela paridade put-call, o preço justo da opção de venda europeia de mesmo strike e vencimento é de:

A) R$ 1,00.

B) R$ 5,00.

C) R$ 3,00.

D) R$ 2,00.

E) R$ 7,00.

4) (Inédita - estilo CESGRANRIO) Uma opção de venda com preço de exercício de R$ 20,00 é negociada a um prêmio de R$ 3,40, enquanto a ação-objeto está cotada a R$ 17,00. Os valores intrínseco e extrínseco (valor tempo) dessa opção são, respectivamente:

A) R$ 0,00 e R$ 3,40.

B) R$ 3,40 e R$ 0,00.

C) R$ 3,00 e R$ 0,40.

D) R$ 0,40 e R$ 3,00.

E) R$ 3,00 e R$ 3,40.

5) (Inédita - estilo FGV) Tudo o mais constante, um aumento da volatilidade esperada do ativo-objeto provoca, sobre os prêmios das opções de compra e de venda, respectivamente:

A) aumento e redução.

B) redução e aumento.

C) redução e redução.

D) aumento e aumento.

E) nenhum efeito, pois volatilidade não afeta opções europeias.

6) (Inédita - estilo FGV) Uma empresa possui dívida indexada ao CDI e ativos que rendem taxa prefixada. Para eliminar o descasamento por meio de um swap DI × pré, a empresa deve contratar uma operação na qual:

A) paga DI e recebe taxa prefixada.

B) recebe DI e paga taxa prefixada.

C) recebe DI e paga variação cambial.

D) troca o principal da dívida pelo de um título prefixado.

E) compra opções de venda sobre o CDI.

7) (Inédita - estilo CEBRASPE, julgue o item) Julgue o item: "A estratégia de venda coberta, em que o investidor detentor das ações lança opções de compra sobre elas, protege integralmente a carteira contra quedas do preço da ação, ao custo de limitar o ganho em caso de alta."

( ) Certo ( ) Errado

8) (Inédita - estilo CEBRASPE, julgue o item) Julgue o item: "Numa operação de swap, as partes trocam a rentabilidade de indexadores calculada sobre um valor de referência (nocional), sendo liquidada, no vencimento, apenas a diferença entre as duas pontas, sem troca do principal."

( ) Certo ( ) Errado

Gabarito

1) C — Exerce: (47 − 40) − 3 = R$ 4,00 por ação. A letra B (R$ 7,00) esquece o prêmio pago; a letra A seria o resultado se a opção virasse pó.

2) D — Ponto de equilíbrio da put = strike − prêmio = 25,00 − 1,50 = R$ 23,50. A letra A soma o prêmio, como se fosse uma call.

3) A — P = C + VP(K) − S = 3,00 + 46,00 − 48,00 = R$ 1,00. A letra B (R$ 5,00) usa o strike cheio (R$ 50,00) em vez do seu valor presente — o esquecimento clássico da paridade.

4) C — Intrínseco da put = máx(K − S; 0) = 20 − 17 = R$ 3,00; o restante do prêmio, 3,40 − 3,00 = R$ 0,40, é valor tempo.

5) D — Volatilidade é tamanho do movimento, não direção: aumenta o ganho possível do titular nos dois sentidos, com perda limitada ao prêmio. Por isso eleva tanto a call quanto a put.

6) B — Recebendo DI, a ponta ativa do swap acompanha a dívida e a neutraliza; pagando pré, o custo efetivo passa a casar com os ativos prefixados. A letra A dobraria a exposição ao CDI.

7) Errado — O prêmio recebido só amortece a queda até o preço de compra menos o prêmio (no exemplo da aula, R$ 28,80). Abaixo disso, o investidor perde com a ação. Proteção integral contra a queda exige comprar uma put, não lançar uma call.

8) Certo — É a definição de swap: o nocional serve apenas de base de cálculo, e só o saldo líquido entre as pontas muda de mãos.

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