Imagine duas pessoas na mesma cidade. Uma acabou de receber um bônus de R$ 50 mil e não sabe onde aplicar. A outra precisa de R$ 50 mil para abrir uma pequena fábrica que geraria dez empregos. Elas nunca vão se conhecer. E, ainda assim, o dinheiro de uma pode financiar o sonho da outra.Quem faz essa mágica acontecer é o sistema financeiro.Nesta primeira aula, vamos montar o mapa do território que exploraremos pelas próximas 13 aulas: quem são os agentes do sistema, quem regula o jogo, em quais mercados o dinheiro circula e quais são os ativos que aprenderemos a precificar. Sem esse mapa, calcular preço de título é decorar fórmula. Com ele, é entender o mercado.Livros para leituraAssaf Neto, A. (2021). Mercado financeiro (15ª ed.). Atlas.Bodie, Z., Kane, A., & Marcus, A. J. (2015). Investimentos (10ª ed.). AMGH.Fortuna, E. (2020). Mercado financeiro: Produtos e serviços (22ª ed.). Qualitymark.Hull, J. C. (2016). Opções, futuros e outros derivativos (9ª ed.). Bookman.1. Para que serve um sistema financeiro?Toda economia tem, ao mesmo tempo, dois grupos:Os agentes superavitários — gastam menos do que ganham e têm recursos sobrando. É o poupador, a empresa com caixa acumulado, o fundo de pensão.Os agentes deficitários — precisam de mais recursos do que possuem no momento. É a família financiando um imóvel, a empresa construindo uma fábrica, o próprio governo cobrindo seu déficit.O sistema financeiro existe para conectar esses dois grupos de forma eficiente e segura. Ele transfere recursos de quem tem para quem precisa, remunerando quem empresta e cobrando de quem toma. Quanto melhor essa conexão funciona, mais barato fica o crédito e mais investimento produtivo a economia consegue financiar.“O sistema financeiro é o conjunto de instituições e instrumentos que viabiliza o fluxo de recursos entre poupadores e tomadores, permitindo que a poupança da economia financie o investimento produtivo.”- Definição adaptada de Assaf NetoUma empresa fechou o trimestre com lucro recorde e ainda não decidiu onde aplicar o caixa. Nesse momento, ela é um agente...Gabarito: Superavitário — tem recursos sobrando no momento, ainda que amanhã possa mudar de papel.Repare: ninguém é superavitário ou deficitário para sempre. A mesma empresa que hoje aplica o caixa pode, amanhã, emitir dívida para construir uma fábrica. O papel muda conforme o momento — e o sistema precisa atender aos dois lados.2. Os dois caminhos do dinheiro: intermediação indireta e diretaExistem dois caminhos para o dinheiro sair do poupador e chegar ao tomador. Entender a diferença entre eles é entender metade deste curso.2.1 Intermediação indireta (via bancos)Você deposita R$ 10.000 num CDB que paga 100% do CDI (hoje, algo próximo de 15% ao ano). O banco junta seu dinheiro ao de milhares de depositantes e empresta para uma empresa a, digamos, CDI + 8% ao ano.Quem corre o risco de a empresa não pagar? O banco. Se o tomador der calote, você continua recebendo seu CDB normalmente. Em troca de assumir esse risco (e de fazer todo o trabalho de análise de crédito), o banco fica com a diferença entre o que cobra e o que paga: o famoso spread bancário.No nosso exemplo: o banco capta a 15% e empresta a 23%. O spread de 8 pontos percentuais paga o risco de inadimplência, os custos operacionais, os impostos — e o lucro do banco.2.2 Intermediação direta (via mercado de capitais)Agora imagine que a mesma empresa, em vez de pedir ao banco, emite uma debênture — um título de dívida corporativa — pagando CDI + 2% ao ano. Você, investidor, compra o papel diretamente.Quem corre o risco agora? Você. O banco de investimento que estruturou a operação ganhou uma comissão, mas não garante nada. Se a empresa quebrar, o prejuízo é do investidor.E por que alguém aceitaria isso? Porque CDI + 2% é mais do que os 100% do CDI do CDB. Ao eliminar o intermediário que assumia o risco, tomador e investidor dividem entre si o spread que antes ficava com o banco: a empresa paga menos (CDI + 2% em vez de CDI + 8%) e o investidor recebe mais (CDI + 2% em vez de CDI + 0%). É a lógica que move o crescimento do mercado de capitais brasileiro.Pergunta para levar para casa: se a intermediação direta é boa para os dois lados, por que os bancos continuam dominando o crédito no Brasil? Pense em: quem consegue emitir debêntures? Qual o custo de estruturar uma oferta pública? E o pequeno comerciante da esquina, capta como? Vamos retomar essa discussão na aula de CDBs e debêntures.Numa emissão de debêntures distribuída por um banco de investimento, o risco de crédito do emissor é assumido...Gabarito: Pelo investidor que compra o título — na intermediação direta, o banco estrutura e distribui, mas não garante; o risco de crédito do emissor é de quem carrega o papel.3. Quem regula o jogo: a estrutura do Sistema Financeiro NacionalUm sistema que movimenta trilhões de reais precisa de regras claras e de fiscais atentos. O SFN se organiza em três níveis — e essa estrutura cai em toda prova, de concurso público a certificação de mercado (CPA, CEA, CFA).3.1 Órgãos normativos: quem escreve as regrasO principal é o Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão máximo do SFN, responsável pelas diretrizes das políticas monetária, creditícia e cambial. É o CMN, por exemplo, que define a meta de inflação que o Banco Central deve perseguir.Ao lado dele, com papel análogo em seus setores, estão o CNSP (seguros privados) e o CNPC (previdência complementar fechada).Detalhe importante: o CMN não executa e não fiscaliza nada. Ele normatiza. Quem coloca a mão na massa são as entidades supervisoras.3.2 Entidades supervisoras: quem fiscaliza o cumprimentoAs duas que mais nos interessam neste curso:O Banco Central do Brasil (Bacen) — executa a política monetária, supervisiona bancos e demais instituições financeiras, autoriza seu funcionamento e é o guardião da estabilidade do sistema. Dentro dele funciona o Copom (Comitê de Política Monetária), que se reúne a cada 45 dias para definir a meta da taxa Selic.A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) — a "xerife" do mercado de capitais. Supervisiona ações, debêntures, fundos de investimento e ofertas públicas, protegendo o investidor contra fraudes e informação privilegiada.Guarde a divisão de trabalho: banco é com o Bacen; valor mobiliário é com a CVM. Um IPO na B3? CVM. A abertura de um novo banco digital? Bacen.3.3 Operadores: quem faz o mercado funcionarSão as instituições que efetivamente operam: bancos comerciais, múltiplos e de investimento, corretoras e distribuidoras (CTVMs e DTVMs) e a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) — a bolsa brasileira, que negocia, registra e liquida ações e derivativos.Uma fintech quer obter autorização para funcionar como instituição financeira. A quem ela deve pedir?Gabarito: Ao Banco Central — autorizar o funcionamento de instituições financeiras é atribuição do Bacen como entidade supervisora. A CVM cuida de valores mobiliários, não de bancos.Uma companhia fará uma oferta pública inicial de ações (IPO). Qual entidade supervisora regula essa operação?Gabarito: CVM — ação é valor mobiliário, e toda oferta pública de valores mobiliários é registrada e supervisionada pela Comissão de Valores Mobiliários.Pegadinha clássica de concurso: o CMN "fiscaliza" as instituições financeiras? NÃO. O CMN normatiza; quem fiscaliza é o Bacen (instituições financeiras) e a CVM (mercado de valores mobiliários). Bancas adoram trocar esses verbos.4. Os quatro grandes mercadosO sistema financeiro se divide em quatro mercados, conforme o tipo de operação. Um mesmo banco pode atuar nos quatro ao mesmo tempo — a divisão é pela natureza da operação, não pela instituição.4.1 Mercado monetárioOperações de curtíssimo prazo (muitas de um dia!), em geral lastreadas em títulos públicos federais. É aqui que os bancos ajustam seu caixa diariamente e que a política monetária acontece na prática. Deste mercado nascem as duas taxas de referência da economia brasileira: a Selic e o CDI. A Aula 3 será inteira dedicada a elas.4.2 Mercado de créditoEmpréstimos e financiamentos concedidos por instituições financeiras: capital de giro, consignado, cheque especial, financiamento de veículos e imóveis. É o território da intermediação indireta — e do spread bancário.4.3 Mercado de capitaisOnde empresas captam recursos de médio e longo prazo emitindo valores mobiliários: ações (participação societária) e debêntures (dívida corporativa), entre outros. É o território da intermediação direta, supervisionado pela CVM — e o coração deste curso.4.4 Mercado de câmbioCompra e venda de moeda estrangeira, essencial para exportadores, importadores, turistas e investidores internacionais. Supervisionado pelo Bacen, que também atua nele para conter volatilidade excessiva.Um financiamento de veículo contratado junto a um banco pertence a qual mercado?Gabarito: Mercado de crédito — empréstimo ou financiamento concedido por instituição financeira é o território da intermediação indireta.Operações de um dia entre bancos, lastreadas em títulos públicos, das quais nasce a taxa CDI, ocorrem no mercado...Gabarito: Monetário — operações de curtíssimo prazo entre instituições financeiras pertencem ao mercado monetário; é dele que nascem a Selic e o CDI.5. O cardápio do investidor: renda fixa, renda variável e derivativosChegamos ao que será nosso objeto de estudo em todas as próximas aulas: os ativos financeiros. Eles se dividem em três grandes famílias — e a ordem em que vamos estudá-las no curso segue exatamente essa classificação.5.1 Renda fixa: a regra é conhecidaNa renda fixa, o investidor conhece, no momento da aplicação, a regra de remuneração do título. Atenção ao detalhe: conhecer a regra não significa conhecer o valor final. Existem três formas de remuneração:Prefixada — a taxa é definida na contratação (ex.: Tesouro Prefixado a 12,5% ao ano). Levando até o vencimento, você sabe exatamente quanto vai receber, em reais, desde o primeiro dia.Pós-fixada — atrelada a um indexador que varia ao longo do tempo (ex.: CDB a 110% do CDI, Tesouro Selic). Você conhece a regra, mas o valor final depende do caminho do indexador.Híbrida — combina uma taxa fixa com um índice de inflação (ex.: Tesouro IPCA+ pagando IPCA + 6% ao ano). É o único formato que garante ganho real, isto é, acima da inflação.Principais representantes: títulos públicos federais (Tesouro Direto), CDBs, LCIs, LCAs e debêntures. Cada um deles ganhará aula própria neste curso.Um título que paga IPCA + 5,5% ao ano é classificado como renda fixa...Gabarito: Híbrida — combina um índice de inflação (IPCA) com uma taxa fixa (5,5% a.a.), garantindo ganho real.A pegadinha mais importante do semestre: renda fixa NÃO significa ausência de risco nem rentabilidade garantida a qualquer momento. Se você vender um Tesouro Prefixado ANTES do vencimento, receberá o preço de mercado — que pode ser menor do que pagou, se os juros tiverem subido. Esse fenômeno se chama marcação a mercado, e entender por que o preço cai quando o juro sobe é o objetivo central das Aulas 4, 7 e 8. Quem sai desta disciplina dominando isso já sabe mais que a maioria do mercado.5.2 Renda variável: sem promessasAqui não há regra de remuneração definida. O retorno depende do desempenho do ativo. O exemplo clássico é a ação: ao comprá-la, você se torna sócio da empresa, e seu retorno vem de duas fontes — a valorização do papel e os proventos (dividendos e juros sobre capital próprio).Sócio, não credor: se a empresa prosperar, não há teto para o ganho; se quebrar, o acionista é o último da fila a receber. Maior risco, maior retorno esperado — essa relação será formalizada quando estudarmos o CAPM, nas Aulas 11 e 12.5.3 Derivativos: o valor que vem de outro lugarInstrumentos cujo valor deriva de um ativo-objeto: contratos futuros de dólar, de índice Bovespa, de taxa DI, opções sobre ações. Nasceram como ferramenta de proteção (hedge) — o exportador que trava hoje o câmbio da receita que só chega em seis meses — mas também servem à especulação e à arbitragem, funções igualmente legítimas e necessárias para dar liquidez ao mercado.Serão o gran finale do curso, nas Aulas 13 e 14.Um contrato futuro de dólar negociado na B3 é classificado como derivativo porque...Gabarito: Seu valor deriva do comportamento de um ativo-objeto — no caso, a taxa de câmbio. Essa é a própria definição de derivativo.6. Amarrando tudoMontamos o mapa completo do território:O sistema financeiro conecta superavitários e deficitários, pelos caminhos da intermediação indireta (bancos, spread) ou direta (mercado de capitais).O SFN se organiza em órgãos normativos (CMN), supervisores (Bacen e CVM) e operadores (bancos, corretoras, B3).As operações se distribuem em quatro mercados: monetário, crédito, capitais e câmbio.E os ativos se dividem em renda fixa (prefixada, pós-fixada, híbrida), renda variável e derivativos.Na próxima aula, afiamos a ferramenta que usaremos para precificar tudo isso: a matemática financeira — juros compostos, taxas equivalentes e valor presente. Traga a calculadora (HP-12C ou Excel): a partir de agora, toda aula tem conta.“Não existe almoço grátis: no mercado financeiro, todo retorno esperado acima da taxa livre de risco cobra seu preço em risco.”- Máxima do mercado, inspirada em Milton FriedmanExercício para discutir em salaAntes das questões objetivas, vamos pensar juntos no caso abaixo.A Rede Horizonte, varejista em expansão, precisa de R$ 50 milhões para abrir 12 novas lojas. O diretor financeiro colocou três alternativas na mesa:I. Contratar um empréstimo de capital de giro com um grande banco comercial, a CDI + 4% ao ano.II. Emitir debêntures com vencimento em 5 anos, remuneradas a CDI + 1,8% ao ano, estruturadas e distribuídas por um banco de investimento.III. Abrir o capital na B3 (IPO), vendendo 25% das ações da companhia.Discuta com seu grupo, para cada alternativa:(a) Em qual dos quatro mercados a operação acontece?(b) Há intermediação direta ou indireta?(c) Quem assume o risco da operação?(d) Por que a taxa da debênture é menor que a do empréstimo bancário?(e) Que compromisso a empresa assume em cada caso — dívida ou sociedade? Quais as consequências de cada escolha para o caixa e para o controle da companhia?Direcionamento para o professor: (I) mercado de crédito, intermediação indireta, o banco assume o risco de crédito e por isso embute o spread — daí a taxa maior. (II) mercado de capitais, intermediação direta, o risco é do investidor que compra o papel; a empresa paga menos justamente porque "pula" o spread bancário — e note que a supervisão da oferta é da CVM. (III) mercado de capitais, intermediação direta, sem promessa de remuneração — o acionista vira sócio, o caixa da empresa não assume dívida, mas os fundadores diluem controle e passam a dividir lucros para sempre. Fechamento que conecta com o resto do curso: como o investidor decide se CDI + 1,8% compensa o risco daquela empresa? Precificando. É o que faremos nas próximas 13 aulas.Exercícios1) (CESGRANRIO - 2021 - Banco do Brasil - Escriturário) Dentro do Sistema de Metas para a inflação, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelece a meta para a inflação. A partir dessa meta, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (Bacen) reúne-se periodicamente para analisar a economia brasileira. Nessas reuniões, o Copom tem como objetivo:A) definir a meta da taxa Selic.B) determinar o papel do Bacen no mercado cambial.C) formular normas aplicáveis ao Sistema Financeiro Nacional (SFN).D) divulgar, diariamente, a taxa de juros de curto prazo para operações realizadas no mercado financeiro.E) autorizar o funcionamento das instituições financeiras e de outras entidades conforme legislação em vigor.2) (Inédita - estilo CESGRANRIO) Na estrutura do Sistema Financeiro Nacional, os órgãos normativos definem as diretrizes gerais, enquanto as entidades supervisoras fiscalizam seu cumprimento. Nesse arranjo, a formulação das políticas de moeda e de crédito e a supervisão do mercado de valores mobiliários cabem, respectivamente:A) ao Conselho Monetário Nacional e ao Banco Central do Brasil.B) ao Banco Central do Brasil e ao Conselho Monetário Nacional.C) à Comissão de Valores Mobiliários e ao Banco Central do Brasil.D) ao Tesouro Nacional e à B3.E) ao Conselho Monetário Nacional e à Comissão de Valores Mobiliários.3) (Inédita - estilo CESGRANRIO) Um investidor aplicou em três produtos: um CDB remunerado a 110% do CDI, um título público que paga IPCA + 6% ao ano e um Tesouro Prefixado a 12,5% ao ano. As formas de remuneração desses três títulos são classificadas, respectivamente, como:A) pós-fixada, híbrida e prefixada.B) prefixada, pós-fixada e híbrida.C) híbrida, prefixada e pós-fixada.D) pós-fixada, prefixada e híbrida.E) prefixada, híbrida e pós-fixada.4) (Inédita - estilo FGV) Uma sociedade empresária capta recursos por meio da emissão de debêntures, adquiridas diretamente por investidores em oferta pública. Sobre essa operação, é correto afirmar que ela ocorre no mercado:A) de crédito, com intermediação indireta, cabendo ao banco o risco da operação.B) de capitais, com intermediação direta, cabendo ao investidor o risco de crédito do emissor.C) monetário, com intermediação direta, cabendo ao emissor o risco da operação.D) de capitais, com intermediação indireta, cabendo ao banco estruturador o risco de crédito.E) de câmbio, com intermediação direta, cabendo ao investidor o risco cambial.5) (Inédita - estilo CESGRANRIO) Ao adquirir uma ação de uma companhia listada na B3, o investidor:A) torna-se credor da companhia, com direito a remuneração prefixada.B) torna-se sócio da companhia, e seu retorno dependerá da valorização do papel e dos proventos distribuídos.C) garante rendimento mínimo equivalente à taxa Selic.D) assume posição em um derivativo cujo ativo-objeto é o patrimônio da empresa.E) passa a ter seu capital protegido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).6) (Inédita - estilo CESGRANRIO) Um banco capta recursos de depositantes pagando 100% do CDI e concede empréstimos de capital de giro a CDI + 8% ao ano. A diferença entre a taxa de captação e a taxa de aplicação é denominada:A) ágio de emissão, e é devolvido ao depositante no vencimento.B) deságio, e representa perda contábil da instituição na intermediação.C) taxa over, e corresponde à remuneração dos títulos públicos em carteira.D) spread bancário, e remunera, entre outros fatores, o risco de crédito assumido pelo banco.E) cunha fiscal, e é integralmente recolhida ao Tesouro Nacional.7) (Inédita - estilo CESGRANRIO) Os contratos futuros de dólar negociados na B3 são classificados como derivativos porque:A) garantem renda fixa ao investidor no vencimento.B) representam participação societária em companhias exportadoras.C) seu valor deriva do comportamento de um ativo-objeto, no caso, a taxa de câmbio.D) são emitidos exclusivamente pelo Banco Central para executar a política cambial.E) só podem ser utilizados para proteção (hedge), sendo vedada a especulação.8) (Inédita - estilo CEBRASPE, julgue o item) A respeito do Sistema Financeiro Nacional, julgue o item a seguir: "O Conselho Monetário Nacional, além de formular as diretrizes das políticas monetária e creditícia, é o responsável direto pela fiscalização das instituições financeiras em funcionamento no país."( ) Certo ( ) Errado9) (Inédita - estilo FGV) Retome o caso da Rede Horizonte, que precisa de R$ 50 milhões. Com o CDI em 14,90% ao ano, o diretor financeiro compara, para o primeiro ano, o empréstimo de capital de giro a CDI + 4% ao ano com a emissão de debêntures a CDI + 1,8% ao ano, que exige ainda custos de estruturação e distribuição equivalentes a 1,2% do valor captado, pagos uma única vez no início. Considere, como na aula, que o spread se soma à taxa do CDI e que todo o custo da emissão entra no primeiro ano. A economia da debênture em relação ao empréstimo no primeiro ano e quem passa a carregar o risco de crédito da Rede Horizonte são, respectivamente:A) R$ 1,10 milhão; o banco de investimento que estruturou a oferta.B) R$ 1,10 milhão; os investidores que compraram as debêntures.C) R$ 0,50 milhão; os investidores que compraram as debêntures.D) R$ 0,50 milhão; o banco de investimento que estruturou a oferta.E) R$ 0,50 milhão; ninguém, pois a oferta registrada na CVM elimina o risco de crédito.10) (Inédita - estilo CEBRASPE, julgue o item) Julgue o item: "Um banco múltiplo que, no mesmo dia, concede um financiamento imobiliário, toma recursos de outro banco por um dia com lastro em títulos públicos e fecha um contrato de câmbio de exportação atua em três mercados distintos. Como todas essas operações são realizadas por instituição financeira, a supervisão de suas atividades cabe exclusivamente ao Banco Central, inclusive quando esse mesmo banco coordena a oferta pública de debêntures de um cliente."( ) Certo ( ) Errado11) (Inédita - estilo CESGRANRIO) Um banco capta R$ 200 milhões em CDBs remunerados a 100% do CDI, com o CDI em 14,90% ao ano, e empresta todo o valor em capital de giro a CDI + 8% ao ano (spread somado à taxa do CDI). No período de um ano, a instituição estima perdas com inadimplência equivalentes a 3% da carteira e custos operacionais de 2% da carteira, e recolhe tributos de 40% sobre o resultado. O lucro líquido do banco com essa operação, em milhões de reais, é de:A) 16,0.B) 9,6.C) 6,0.D) 3,6.E) 7,2.12) (Inédita - estilo FCC) Considere as afirmações a seguir.I. Um CDB a 100% do CDI e uma debênture a CDI + 2% ao ano são ambos renda fixa pós-fixada, mas apenas no CDB o risco de crédito do tomador final dos recursos é assumido por uma instituição intermediária.II. Um Tesouro Prefixado a 12,5% ao ano, por ser renda fixa prefixada, assegura ao investidor a rentabilidade contratada mesmo que ele venda o título antes do vencimento.III. Entre as três formas de remuneração da renda fixa, apenas a híbrida (como IPCA + 6% ao ano) contrata ganho real; ainda assim, a rentabilidade nominal desse título só será conhecida ao final do período.IV. As operações de um dia entre bancos, lastreadas em títulos públicos, pertencem ao mercado de crédito, pois consistem em empréstimos entre instituições financeiras.Está correto o que se afirma APENAS em:A) I e II.B) I e III.C) II e IV.D) III e IV.E) I, III e IV.Gabarito1) A — Ao Copom cabe definir a meta da taxa Selic. Formular normas para o SFN é atribuição do CMN (letra C descreve o CMN) e autorizar o funcionamento de instituições é função do Bacen como supervisor (letra E).2) E — O CMN é o órgão normativo das políticas de moeda e crédito; a CVM supervisiona o mercado de valores mobiliários. O Bacen supervisiona instituições financeiras, mas não formula as diretrizes.3) A — 110% do CDI depende de indexador futuro (pós-fixada); IPCA + 6% combina índice de preços e taxa fixa (híbrida); 12,5% a.a. é conhecida integralmente na contratação (prefixada).4) B — Debênture é valor mobiliário do mercado de capitais; o investidor compra diretamente e assume o risco de crédito do emissor. O banco apenas estrutura e distribui a oferta.5) B — Ação é renda variável e representa fração do capital social: o retorno vem de valorização e proventos. Ações não têm cobertura do FGC — pegadinha frequente.6) D — O spread bancário é a diferença entre captação e aplicação, remunerando risco de crédito, custos operacionais, tributos e a margem do banco. É o preço da intermediação indireta.7) C — A definição de derivativo está no próprio nome: instrumento cujo valor deriva de um ativo-objeto. Hedge é o uso clássico, mas especulação e arbitragem também são legítimos e dão liquidez ao mercado (a letra E erra ao vedar a especulação).8) Errado — O CMN normatiza; quem fiscaliza as instituições financeiras é o Banco Central. Troca de verbos entre "normatizar" e "fiscalizar" é a pegadinha mais recorrente do tema em prova.9) C — Empréstimo: 50 × (14,90% + 4%) = 50 × 18,90% = R$ 9,45 milhões. Debênture: 50 × (14,90% + 1,8%) = 50 × 16,70% = R$ 8,35 milhões, mais 1,2% × 50 = R$ 0,60 milhão de custo de emissão = R$ 8,95 milhões. Economia: 9,45 − 8,95 = R$ 0,50 milhão. As letras A e B (R$ 1,10 milhão) comparam só as taxas e esquecem o custo de estruturar a oferta — justamente o custo que afasta as empresas menores do mercado de capitais. Na intermediação direta o risco é do investidor: o banco de investimento estrutura e distribui, mas não garante (letra D), e o registro na CVM dá transparência, não elimina risco de crédito (letra E).10) Errado — A primeira parte está certa: a divisão em mercados é pela natureza da operação (crédito, monetário e câmbio), não pela instituição. O erro está no "exclusivamente": a oferta pública de debêntures é operação com valor mobiliário, supervisionada pela CVM, ainda que conduzida por um banco. Banco é com o Bacen; valor mobiliário é com a CVM — e a mesma instituição pode estar sob as duas supervisões.11) D — Receita: 200 × 22,90% = 45,8; custo de captação: 200 × 14,90% = 29,8; spread bruto: 16,0 (8% da carteira). Menos inadimplência (200 × 3% = 6,0) e custos operacionais (200 × 2% = 4,0): resultado de 6,0 antes dos tributos. Tributos: 40% × 6,0 = 2,4. Lucro líquido: 3,6 milhões (1,8% da carteira). A letra A trata o spread inteiro como lucro, o erro que a aula desmonta; a B aplica os tributos sobre o spread bruto, sem descontar perdas e custos; a C esquece os tributos; a E esquece a inadimplência (16 − 4 = 12; 12 × 0,6 = 7,2).12) B — I: correta; no CDB o banco empresta o dinheiro e assume o risco de quem tomou (o investidor fica exposto ao banco), enquanto na debênture o investidor carrega o risco da empresa diretamente. II: errada; a rentabilidade do prefixado é assegurada no vencimento — antes dele vale o preço de mercado, que pode ter caído (marcação a mercado). III: correta; a parte real é contratada, mas o nominal depende do IPCA que ainda vai acontecer. IV: errada; operações de um dia entre bancos, lastreadas em títulos públicos, são do mercado monetário, de onde nascem a Selic e o CDI.
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